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domingo, 2 de outubro de 2022

Ontem ao Luar (Choro e Poesia)

Ontem ao luar - Por sua semelhança com a canção "Love Story", do filme homônimo, a polca "Choro e Poesia" voltou a ser sucesso na década de 1970. Esse retorno rendeu-lhe mais de dez gravações, só que com um detalhe: todas traziam apenas o título "Ontem ao Luar", que recebeu de Catulo da Paixão Cearense quando, em 1913, o poeta lhe pôs uma letra, à revelia do autor.

E o que é pior, várias dessas gravações tal como edições da partitura, somente registravam o nome de Catulo, omitindo o de Pedro de Alcântara.

Em 1976, graças aos esforços de uma neta de Alcântara, sua autoria foi restabelecida através de uma decisão judicial. "Choro e Poesia" tem duas partes, ambas construídas com variações de um mesmo motivo, usado com muita engenhosidade especialmente na segunda parte, em tom maior.

Ontem ao Luar (Choro e Poesia) (polca, 1907) - Pedro de Alcântara e Catulo da P. Cearense - Interpretação: Vicente Celestino



----Am-------------------------- B7
Ontem ao luar / Nós dois em plena solidão
E7
Tu me perguntaste
-----------------Am
O que era a dor de uma paixão
A7 -------------------Dm
Nada respondi, calmo assim fiquei
B7 -----------------------------------(E7)
Mas fitando o azul / Do azul do céu a lua azul
-------------Am---------------------------- B7
Eu te mostrei, mostrando a ti os olhos meus
------------------------E7--------------- Am
Correr sem ti uma nívea lágrima e assim te respondi
A7----------------- Dm-------------------- Am
Fiquei a sorrir por ter o prazer de ver a lágrima
---(B7)-- (E7)--- Am--- E7
Dos olhos a sofrer

A--------------------- B7
A dor da paixão, não tem explicação
E7------------------ A
Como definir o que só sei sentir
Dm ------------A ------------Gbm
É mister sofrer, para se saber
---------------Bm------ E7 ------A -----E7
O que no peito o coração não quer dizer
A---------------------- B7
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
E7 -----------------------A
De noite a chorar na onda toda azul
-------Dm-------------- A-------- Gbm
Pergunta ao luar, do mar a canção
--------------B7------- E7---------- (A) (E7) (A) (E7)
Qual o mistério que há na dor de uma paixão
-----A----------- Gb7------------ Bm
Se tu desejas saber o que é o amor e sentir
----------E7------------------ A------------ Dbm7
O seu calor o amaríssimo travor do seu dulçor
------------------ E7
Sobe o monte a beira mar ao luar
------------E7-------- A
Ouve a onda sobre a areia lacrimar
--------------A------Gb7------ Bm------------------ E7
Ouve o silêncio a falar na solidão do calado coração
----------------A -----------A7
A pena a derramar os prantos seus
D ----------Dm -----A -----------Gb7------- Bm
Ouve o choro perenal / A dor silente universal
-------------E7---------------- A F A
E a dor maior que é a dor de Deus



Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora Publifolha; A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O massacre da "Sabiá"

Não há brasileiro, vivo ou morto, que não tenha uma vizinha gorda e, além de gorda, patusca como uma viúva machadiana. Dirão os idiotas da objetividade que vizinha é a que mora ao lado, ou defronte, ou ali na esquina ou, ainda, na mesma rua. O caso não me parece tão simples. O que eu chamo de vizinha é, antes de mais nada, um certo tipo físico, uma certa e generosa adiposidade. Dizia-me um amigo, a propósito de não sei de quem:

— "Gorda como uma vizinha".

Aí está dito tudo. E se tiver varizes, melhor. Ah, esquecia-me das brotoejas. É preciso que desponte, no seu decote, uma constelação de brotoejas. Assim é, fisicamente, a vizinha. Do ponto de vista de caráter, sentimentos e modos tem de ser patusca. Imaginem uma víbora gaiata — é a vizinha, como a imaginava o nosso Machado de Assis.

Se, por acaso, mora ao lado uma senhora esguia, de lindas maneiras e nobres sentimentos — estejamos certos de um equívoco, de uma fraude ou de uma confusão de endereço. Reside a dois passos, mas é a falsa vizinha, a antivizinha, sem nada de machadiano.

Fiz esta breve introdução para concluir: — tenho, na minha rua, uma senhora que é a vizinha perfeita, irretocável. Está sempre na janela. Eis aí um costume típico. Como se sabe, a janela foi a televisão das gerações passadas. Hoje, tudo mudou. Há pessoas que passam anos e não usam a janela nem para cuspir. Resumindo: — a janela só existe e sobrevive nas letras do Chico Buarque de Holanda.

Mas onde é que eu estava? Ah, na vizinha gorda, a quem chamam de "Moby Dick", a baleia. E a santa senhora, instalada no seu primeiro andar, toma conta de tudo e de todos. Vê quem chega, quem parte, quem namora e quem prevarica.

Ontem, ao sair de casa, quem vejo eu? A vizinha.

Quase atravessei a rua. Mas já a vizinha crispava no meu braço a sua mão pequena e voraz de gorda. Não tive outro remédio senão parar. Agrediu-me com a pergunta:

— "O que me diz do Festival?".

Não me lembro se disse "Gostei" ou "Não gostei". Agora me lembro. Minha resposta foi exatamente esta:

— "Mais ou menos".

Só. Por coincidência, também ela achara "mais ou menos". Vendo, ali, uma similitude de gosto, de sentimentos, vibrou a vizinha. Conversamos uns quinze minutos. E, por fim, quando me despedi, ela fez mistério, fez suspense. Disse, sem desfitar-me:

— "Nada como um dia depois do outro".

Aquilo ficou na minha cabeça. "Nada como um dia depois do outro." Só uma vizinha gorda diria isso. Sim, a frase era um achado de vizinha gorda, patusca e cheia de varizes. Mas como ia dizendo: — despedi-me e, em seguida, apanhei o táxi. Vim para a cidade ressoante do "Nada como um dia depois do outro". E, então, pensei no Festival.

Em São Paulo, quando se escolheu a música paulista, os fanáticos de Vandré promoviam uma apoteose para o seu ídolo e, ao mesmo tempo, massacravam a música de Caetano Veloso. E não só a massacravam, como também massacravam o autor. Se vocês assistiram ao teipe da Paulista, hão de se lembrar. Pela primeira vez viu-se uma pobre canção linchada. A canção, digo eu, e respectivo autor.

E mais: — enquanto Caetano Veloso queria cantar, a platéia — sapateando como uma espanhola — fazia um coro feroz, unânime e obsceno. Mas o artista deu-lhe o bravo troco. Chamou os jovens ululantes de "imbecis", "analfabetos", "débeis mentais" etc. etc. E disse tanto que a obscenidade emudeceu. O comportamento de tal platéia — e toda ela "festiva" — foi de uma indignidade inédita.

Vejam como cabe, aqui, o "Nada como um dia depois do outro" da minha vizinha. No Rio, novamente, apoteose para Vandré e vaia para "Sabiá". Em São Paulo, porém, o "Proibido" foi realmente proibido pela platéia, e saiu do Festival. Aqui, o vaiadíssimo "Sabiá" ganhou e vai representar o Brasil.

Mas o que ainda me assombra é o poder de promoção da "festiva". O povo acha graça e vamos e venhamos: — o simples nome de "festiva" é um apelo ao ridículo. Realmente, há o ridículo, sem prejuízo, todavia, do gênio promocional das esquerdas. O leitor não tem noção do que sejam os bastidores da glória, do sucesso, da consagração. Hoje, só se é poeta, romancista, sociólogo, crítico, cineasta, se as esquerdas o permitirem. Cabe então a pergunta: — e por quê? Vejamos.

Porque a "festiva" infiltrou-se nas redações, nas rádios, nas TVs. Há um escritor que não escreve, não lê, não pensa? Outro que é cineasta inédito? E outro ainda um romancista que não fez, nem fará jamais um romance? Como desfilam em passeatas e xingam os Estados Unidos — são grandes sociólogos, cineastas, romancistas e poetas. E há o caso de Gilberto Freyre.

As esquerdas o abominam. Por que, não se sabe, ou, por outra, sabe-se perfeitamente. Gilberto Freyre é um homem livre. Pensa, vejam vocês e pasmem: — pensa. Pois bem. Até outro dia era, na vida intelectual do Brasil, uma presença enorme, obrigatória, obsessiva. Lembro-me de que, certa vez, as grandes figuras literárias do Brasil propunham que ele fosse o nosso candidato ao prêmio Nobel. E, súbito, desaba sobre o seu nome e sua obra um vil silêncio. É solidamente ignorado pelos nossos jornais. Não há mais notícia, nem reportagem, nem crônica, nem artigo sobre Gilberto Freyre. Acabou? Morreu? Deixou de pensar, ler, escrever? Não, mil vezes não.

Simplesmente, não aceitou a pressão das esquerdas. E estas, que têm a posse de todos os meios de promoção, não falam em Gilberto Freyre, negam-lhe uma notícia de duas linhas ou uma vaga referência. Bem. Volto ao Festival.

Vejam vocês: — a "festiva", com o seu horror ao risco, não deu um tiro em 31 de março, não matou um passarinho em 1º de abril. E nem vai mover uma palha ou tirar uma cadeira do lugar. Mas só se tem talento com a sua licença. E, domingo, no Maracanãzinho, as esquerdas caíram do cavalo. Esperavam o primeiro prêmio para Vandré e quem ganhou foi "Sabiá". Entre parênteses, não nego o talento de Vandré. Sua "Marselhesa" nada tem de "Marselhesa" e, pelo contrário, soa como berceuse e o próprio autor a canta como tal.

Mas, berceuse ou "Marselhesa", há talento. E o resultado doeu na "festiva". Logo, com aquela sua coragem sem risco, saiu pelas redações, rádios e TVs. O nosso Vandré teve uma imprensa que nem Rui, nem o barão do Rio Branco, nem Santos Dumont mereceram. Mas era pouco. A glória impressa era pouco. E que fizeram elas, as esquerdas? Vejam que golpe bem imaginado. Na terça-feira, em jornais, rádios e TVs, largaram a bomba:

— Tom e Chico iam renunciar.

Nada descreve o meu espanto. O prêmio, se não me engano, é de 25 milhões. Vinte e cinco milhões — o brasileiro não é assim. Mesmo o nosso milionário não é assim. Um dia, o Walther Moreira Salles ganhou um prêmio menor no "Seu Talão". Pois meteu-se na fila e foi buscar o dinheiro. Por que, e a troco de que, Tom e Chico iam enfiar no bolso de Vandré os 25 milhões? O Chico não está presente. E, se o Tom aceitasse a coação sentimental e realmente idiota, estaria merecendo um urgente tratamento psiquiátrico.

Sim, e nós o amarraríamos num pé de mesa e lhe daríamos água numa cuia de queijo Palmira.


[3/10/1968]


Teatro Brasileiro - Nelson Rodrigues; A Cabra Vadia: novas confissões / Nelson Rodrigues —seleção de Ruy Castro. — São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sidney Bechet e sua petite fleur


Sidney Bechet (Sidney Joseph Bechet), clarinetista, saxofonista e compositor de jazz (jazz clássico e dixieland), nasceu em New Orleans, Louisiana, EUA, em 14/05/1897, e faleceu em Garches, Paris, França, em 14/05/1959.

Em 1919 ele foi o clarinetista solista da Southern Syncopated Orchestra, conduzida pelo compositor Will Marion Cook, que se recusou a usar a palavra "jazz", mas estava ansioso para ver Bechet no centro das atenções. O maestro suíço Ernest Ansermet, que em diversas ocasiões ouviu esta formação em Londres, escreveu sobre Bechet. "Ele não pode dizer nada sobre a sua arte, exceto que ele segue o seu próprio caminho... e talvez o caminho em que o mundo 'swingará' amanhã."

Músico prodígio, nascido em uma família crioula, tocou com vários conjuntos ("brass bands") de New Orleans. Foi morar Chicago no ano de 1917 para tocar com dois exilados famosos, o trompetista Freddie Keppard e pianista Tony Jackson. Acompanhou Cook, em Londres, onde ele descobre o saxofone soprano, um instrumento mais dominante do que o clarinete e com o qual ele pode facilmente produzir vibrato, que é sua marca.

Em 1919, viajou para a Europa com a Southern Syncopated Orchestra do diretor Will Marion Cook, onde além de tocar clarinete, executava em uma peça um pequeno acordeom. Suas apresentações em Londres interpretando o Characteristic Blues chamaram a atenção do diretor de orquestra Ernest Ansermet, que lhe dedicou elogios em um artigo publicado na revista "Revue Romande" na qual, segundo se afirma, foi a primeira crítica sobre um músico de jazz, onde afirmava que "Sidney Bechet é um gênio".

Regressando aos Estados Unidos em 1922, foi para Nova York, onde grava pela primeira vez em julho de 1923, com a Clarence Williams Blue Five as músicas "Wild Cat Blues" e "Kansas City Man Blues". Entre 1924 e 1925 realizou uma série de memoráveis gravações com Louis Armstrong, que também havia se juntado ao conjunto de Clarence Williams.

Integrou a orquestra Revue Négre, que acompanhou Josephine Baker a Paris em 1925, permanecendo na Europa até 1931, visitando diversos países e passando quase um ano em um cárcere francês em 1928, por ter se envolvido numa briga entre músicos. Depois desse "recesso" de 11 meses, seguiu percorrendo a Europa e retornou novamente para os EUA, para participar brevemente na orquestra de Noble Sissle, e logo em 1932 formar junto ao trompetista Tommy Ladnier um grupo chamado The New Orleans Feetwarmers.

Entre 1934 e 1938 se une novamente a Noble Sissle, em cuja orquestra vai adquirindo paulatinamente uma participação crescente como solista (por ex. "Polka Dog Rag", 1934).

De 1938 em diante, empreende uma carreira como líder de bandas diversas, na corrente revival do jazz de Nova Orleans, tocando e gravando em diferentes cidades, produzindo abundante material onde seu saxofone-soprano fazia às vezes de voz.

Em 1939 realiza uma série de gravações para a recém criada gravadora Blue Note, de Alfred Lion, entre as quais se sobressai uma excelente e inovadora versão instrumental do clássico de George Gershwin "Summertime".

Em 1941 realiza uma experiência inédita para a época: uma sessão em que ele interpreta seis instrumentos (clarinete, saxofone-soprano, saxofone-tenor, piano, contrabaixo e bateria), que são gravados um sobre a pista do outro, para constituir a "Sidney Bechet's one man band", a primeira tentativa de gravação de um só músico que se tenha notícia.

Em 1949 viaja a França para participar do Festival de Jazz de Paris, em Salle Pleyel. Suas interpretações cativam o grande público e no ano seguinte volta para Paris e se estabelece nessa cidade definitivamente, transformando-se em uma celebridade do movimento de jazz tradicional francês, integrando-se aos clarinetistas Claude Luter e André Reweliotty.

Em 1951 se casa com Elisabeth Ziegler (com quem teve uma relação em Berlim na década de 1920), em uma cerimônia apoteótica que teve lugar na vila de Juan-Les-Pins. Nesse ano compôs um de seus maiores sucessos, "Petite Fleur" (Pequena Flor).

Em 1954 nasce seu único filho, Daniel, e depois de quase 10 anos de residência permanente na França, com turnês e apresentações por toda Europa, vários discos de ouro e outros sucessos, adoece de câncer do pulmão no final de 1958, falecendo em Paris, em 14 de maio de 1959, no mesmo dia em que completava 62 anos.

Discografia

The Legendary Sidney Bechet, RCA Bluebird
Sidney Bechet in New York, JSP (com Louis Armstrong).
The King Jazz Story Vol.4, Storyville (com Cousin Joe)
Jazz Classics Vol.1, Blue Note (com Bunk Johnson, Albert Nicholas).
El Doudou, Vogue, 1956 (com Albert Langue).

Fonte: Wikipédia.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A ira de Vandré

Os que são velhos, como eu, conheceram os estertores das gerações românticas. Havia então uma permanente nostalgia do patético e do sublime. Morrer de amor, ou por amor, era uma honra; morrer simplesmente, sem amor, nem ódio, morrer de paratifo ou até de asma, era outra honra. E quando passava um enterro de virgem, com o caixão de arminho, as mocinhas dos sobrados invejavam a morta e gostariam de estar no imaculado caixão. Bom tempo, em que a morte era mais promocional do que a vida.

Mas quem conta episódios admiráveis da vida romântica é o Eça. Num dos seus livros, não sei se Os Maias, há uma cena deliciosa. Imaginem um rapaz vestido de negro e pálido como um santo. É uma festa. Ele está, na janela, maravilhosamente só. E ali, olhando a noite, que já vai para a madrugada, cheira uma flor, talvez camélia. Muito olhado pelas damas, exalava uma nobre e inconsolável melancolia. E, súbito, vem a dona da casa e pergunta:

— "Não dança?".

O rapaz ergue a fronte diáfana e responde:

— "Como posso eu dançar, se a Polônia sofre?".

Nesse rapaz que, junto à janela, beija uma camélia; e não pode sorrir porque a Polônia sofre, nesse rapaz está todo um Portugal, toda uma Europa. Outro que tem o mesmo valor social, humano, histórico, é o nosso Geraldo Vandré.

Quem não o conhece? Com o seu sucesso no Festival da Canção, o nosso Vandré tornou-se uma súbita figura nacional. Abram os jornais, as revistas, ouçam os rádios, vejam as TVs. A fulminante celebridade de Vandré é de uma evidência estarrecedora. E mais: — de domingo para cá, sempre que três brasileiros se juntam, o assunto obrigatório, fatal, é a vil injustiça que lhe fizeram.

Vandré concorria ao Festival com a sua "Pra não dizer que não falei de flores". Segundo se diz, ele devia tirar o primeiro lugar. Vai o júri e dá-lhe um mísero e franciscano segundo lugar. Antes, porém, de passar no Maracanãzinho, preciso dizer quem é e como é Vandré. Vamos lá.

Dias atrás, um amigo meu cruza com o compositor e diz-lhe:

— "Boa noite".

Ora, a um cumprimento responde-se com outro cumprimento. É o mínimo e o máximo que se pode fazer. O Vandré, porém, está bem acima de um automatismo tão crasso e tão ignaro. Assim saudado, ele se arremessa para o meu amigo, como se fosse agredi-lo. Agarra-o pelos dois braços, sacode-o; diz-lhe, embargado:

— "Como pode você me dar boa-noite se o mundo está em guerra?".

O outro tomou o maior susto:

— "Eu não tive intenção! Eu não tive intenção!".

E, realmente, o meu amigo não tivera nenhuma intenção, senão a de lhe dar boa-noite. E o Vandré, em arrancos:

— "Você não vê que estão morrendo no Vietnã?".

O autor do imprudente "boa-noite" quase correu, fisicamente, do Vandré.

Pode parecer talvez que eu esteja fazendo um exagero caricatural. Por sua vez, os idiotas da objetividade dirão que o Vietnã está lá e o compositor aqui. Mas saibam que, no caso do Vandré, a distância não influi nas leis da emoção ou da indignação. Ele reage como se o Vietnã fosse ali na esquina; e como se o chão que ele pisa estivesse juncado de vietcongs defuntos.

Narrei o episódio para caracterizar o artista: — será nosso contemporâneo apenas nos ternos, gravatas e sapatos; mas por dentro tem a estrutura das gerações românticas. Já os familiares e conhecidos evitam cumprimentá-lo, porque o Vietnã sofre. Dito isto, passo ao Maracanãzinho.

Domingo, ia ser escolhida a música brasileira para o Festival Internacional da Canção. Não sei por que, meteu-se na cabeça de muitos, inclusive do próprio Vandré, que sua letra e sua música iam ser as ganhadoras fatais.

Vocês entendem a minha perplexidade? Informa o senso comum que qualquer competição, seja o prêmio Nobel ou de cuspe à distância, tem os seus imponderáveis. A começar pelos juizes. São quinze sujeitos e temos de admitir a "verdade de cada um", verdade que foi, como se sabe, o ganha-pão de Pirandello. Todavia, Vandré e seus partidários, que eram numerosos e ululantes,
estavam maravilhosamente certos da vitória.

Daí a crudelíssima desilusão. Os jurados preferiram "Sabiá", de Chico e Tom. Ao nosso Vandré coube o segundo lugar. Outro qualquer estaria soltando os foguetes da vaidade, e telefonando para casa:

— "Tirei o segundo lugar! Tirei o segundo lugar!".

Seria uma glória para a família, para a namorada etc. etc. Mas Vandré não tem as reações de qualquer um. Assim como não admite que o cumprimentem, também não aceita um reles segundo lugar. O resultado doeu-lhe, fisicamente, como uma nevralgia. Estava falsamente derrotado. Na verdade, merecera uma colocação nobilíssima. Não tinha que sofrer como se o segundo lugar fosse a mais hedionda das lanternas.

Os que estavam lá, no Maracanãzinho, viram muito pouco. Havia entre a platéia e o palco uma deplorável distância visual. Ao passo que o vídeo amplia a cara, o gesto, o espanto. Eu, em casa, com a televisão ligada, vi tudo e com prodigiosa nitidez. E, sobretudo, vi a bela, forte, crispada e jovem cara de Vandré. Ele acabara de saber que era, apenas e miseravelmente, o segundo colocado. Os presentes não puderam sentir o seu patético, mas o telespectador, sim.

Para nós, de casa, a cara de Vandré tomou a expressão cruel, vingativa, de certas máscaras cesarianas. Lia-se tudo na jovem cara. Houve um momento em que, instigado pelos seus fiéis, Vandré perguntou, de si para si:

— "Abro ou não o verbo?".

Seria o comício. Nas velhas gerações, o brasileiro tinha sempre um soneto no bolso. Mas os tempos parnasianos já passaram. Hoje, ferozmente politizado, ele tem sempre, à mão, um comício. Outrora soneto, hoje comício. Eis a perplexidade que o telespectador percebia, com perfeita visibilidade: — por um lado, o comício fascinava Vandré como um abismo; por outro
lado, era amigo do Chico e do Tom.

Mas eis o que eu queria dizer: — um concorrente frustrado só devia aparecer de máscara, como nos vel hos carnavais. Apenas o primeiro colocado teria o direito de fotografar-se de rosto nu. Então o Vandré cometeu o erro de saudar os concorrentes vitoriosos. Só ele e Deus sabem o esforço braçal que lhe custou essa concessão às boas maneiras.

Mas um artista não pode ser convencional. Sei que, por um instante, quase partiu para o comício. Foi quando começou:

— "Nem tudo é festival!".

Disse isso e não foi além. Assim traiu a própria ira, traiu o próprio ressentimento. Ninguém pôs uma máscara compassiva no ódio tão forte, ingênuo e impotente.

Outro momento inesquecível: — a cara de Tom Jobim.

Ao saber-se premiado teve espasmos triunfais de víbora moribunda. Somos uma pátria de cavas depressões; e a cara de Tom Jobim, na vitória, devia ser exibida por todo o Brasil.

Como é trágica a euforia do subdesenvolvido premiado. O nosso Tom foi aos Estados Unidos, fez músicas para Sinatra, é uma glória internacional. Só faltou atirar beijos como uma menina de préstito carnavalesco. Um americano embolsa um prêmio com um tédio sarcástico. O francês recebe um favor como se estivesse fazendo um favor ao favor.

E o nosso Tom, ao impacto do triunfo, quase foi para a tenda de oxigênio.

[1/10/1968]
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A Cabra Vadia: novas confissões / Nelson Rodrigues; seleção de Ruy Castro. — São Paulo:

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A música piorou nas últimas décadas

Pesquisa científica analisou quase 500 mil músicas, da década de 50 até 2010, e avaliou características como timbre, tom e volume. O resultado é que a qualidade da música piorou. 

A música piorou nas últimas décadas. O que parece relativo quando dito por um crítico ganhou tons científicos com um estudo realidado pelo Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha.

Pesquisadores, através de programas de computador, analisaram cerca de 500 mil músicas populares do Ocidente lançadas entre 1955 e 2010, incluindo pop, rock, hip-hop, folk e funk.

Com os resultados obtidos, avaliaram tendências com o passar dos anos. As diferentes transições entre combinações de notas diminuíram de número nas últimas décadas. A variedade de timbres na música pop também caiu significantemente desde os anos 1960.

Sobre este fato, a conclusão dos pesquisadores é que os compositores tendem a se manter fiéis às mesmas qualidades de som obtidas anteriormente. O volume, porém, tem aumentado desde 1955, em uma "espécie de corrida pela música mais alta".

Para a pesquisa, primeiramente foram avaliados elementos como timbre, tom e volume. Depois, observou-se as diferentes tendências das características ao longo dos anos. A cada batida, os computadores representavam as informações obtidas através de números. Com isso, foi possível identificar diferenças nas harmonias, melodias e acordes, além da intensidade em que eram executadas. Para cada timbre, as ondas foram medidas e avaliadas em relação à sonoridade obtida através das combinações com os outros instrumentos e efeitos.

A partir desta fase foi construído um vocabulário musical. Através da associação de palavras aos números, foram criadas espécies de textos que podem representar um estilo musical de determinado ano ou época. Desta maneira, foi possível descobrir padrões estatísticos sobre a variedade de "textos" surgidos em determinado período, a frequência em que foram usados e os mais comuns ao longo do tempo.

— Nesta fase, observou-se um fenômeno literário em que a palavra mais repetida é duas vezes mais escrita do que a segunda mais repetida, que por sua vez aparece três vezes mais que a terceira. O mesmo padrão se repete na música — explica Joan Serrà, autor da pesquisa junto com Josep Lluís Arcos.

Fonte: O Globo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Música: o santo remédio


Estudos recentes sugerem que o cérebro responde aos estímulos musicais como se fossem remédio. Isso significa que a sua canção favorita pode regular funções do corpo, reduzir o estresse e até desenvolver habilidades motoras. Para as grávidas, colocar um fone com uma melodia gostosa em contato com a barriga pode aumentar o laço entre elas e seus bebês e ainda torná-los mais inteligentes.
 
Como não existe um tipo específico de música que faça todos os seres humanos se sentirem melhor, escolha um som que desperte lembranças e sensações boas. Vale música clássica, pop, sertaneja, rock’n’roll...
 
O segredo é se sentar ou deitar confortavelmente e prestar atenção na letra e na melodia, em vez de fazer mil coisas ao mesmo tempo. Ainda não está convencida? Conheça, então, as vantagens desse tratamento.
 
Ouvir música...
 
1. Reduz o estresse
 
Músicas calmas diminuem a ansiedade porque baixam a frequência cardíaca e, com isso, a pressão arterial. Escolha uma que prenda a atenção e faça você esquecer as preocupações do dia a dia. Em 10 minutos, seu corpo estará relaxado - fica mais fácil até pegar no sono! Se músicas lentas causam em você impaciência, ouça algo mais animado.
 
2. Alivia a dor
 
Estudo feito por uma universidade americana constatou que quem ouve sua música favorita em procedimentos cirúrgicos precisa de menos sedativos e analgésicos. A estratégia também serve para combater o mal-estar de doenças crônicas: a música altera a percepção da dor e aumenta a eficácia dos remédios.
 
3. Ameniza a depressão
 
Curtir um som libera dopamina, neurotransmissor que atua nos centros de prazer do cérebro. O tom, a estrutura e a letra da música têm impacto direto na emoção provocada, mas há também questões subjetivas, como as lembranças que ela desperta.
 
4. Faz o organismo TODO funcionar melhor
 
A respiração estruturada de quando a gente canta (ou você vai dizer que ouve música em silêncio?) massageia o intestino, alivia o coração, fornece ar adicional aos pulmões e impulsiona a circulação sanguínea. Como se esses benefícios não bastassem, nossa memória e concentração ainda ficam tinindo!
 
5. Ajuda a tratar problemas sérios
 
Pesquisas comprovam que ouvir música diminui as náuseas durante a quimioterapia, melhora o humor e a mobilidade de pessoas com mal de Parkinson e incentiva os pacientes a participarem de tratamentos capazes de encurtar sua estadia no hospital.
 
Fonte: ANAMARIA / M de Mulher
Texto: Beatriz Levischi

terça-feira, 10 de abril de 2012

A sentimental e lírica modinha

A modinha é uma canção lírica, sentimental, derivada da moda portuguesa. Nos fins do século XVIII, em Portugal, a palavra moda tomou sentido genérico e com ela se designavam árias, cantigas ou romances de salão.

A voga que essa música vocal de salão adquiriu no reinado de Maria I se traduziu no trocadilho que se tornou de uso comum entre cronistas da época, “era moda, na corte de Maria I, cantar a moda”, cujos autores eram músicos de escola formados na Itália: João de Sousa Carvalho, Leal Moreira e Marcos Portugal

Quebrando o formalismo dessas modas cortesãs, surgiu nos serenins dos palácios de Bemposta, de Belém ou de Queluz, Portugal, a figura do brasileiro Domingos Caldas Barbosa (?1740—1800), poeta e tocador de viola. Protegido dos marqueses de Castelo Melhor, Caldas Barbosa, o Lereno da Nova Arcádia, sofreu a reação violenta dos poetas e escritores portugueses da época, principalmente Bocage, Filinto Elísio e Antônio Ribeiro dos Santos, que chegou a considerar sua presença como indício da dissolução dos costumes da corte portuguesa.

Domingos Caldas Barbosa deixou o Brasil em 1770. Só cinco anos depois, já investido de ordens menores, apareceram suas primeiras obras e por elas se verifica que o padre mulato, cobrindo-se com a batina para disfarçar o fator adverso da cor, não se deixou atingir pelos apodos virulentos dos seus rivais. Músico sem conhecer música, cantor sem haver estudado canto, Caldas Barbosa substituiu o cravo e o pianoforte pela viola de arame e com ela granjeou a simpatia dos áulicos e das açafatas da rainha.

Não se conhecem documentos que atestem a existência da modinha antes da apresentação de Caldas nos saraus lisboetas de 1775. Historiadores brasileiros mencionam os nomes de Gregório de Matos (1633—1696), Antônio José da Silva, o judeu (1705—1739) e Tomás Antônio Gonzaga (1744—?1808) como precursores da modinha. A documentação pesquisada não confirma a suposição desses historiadores.

O próprio Caldas Barbosa, evitando a designação de moda, usada pelos compositores eruditos, intitulou de cantigas as canções enfeixadas no seu Viola de Lereno: coleção das suas cantigas, oferecidas aos seus amigos (volume 1: Oficina Nunesiana, Lisboa, 1798; volume II: Tipografia Lacerdina, Lisboa, 1826). No texto de uma dessas cantigas, refere-se às suas modas, palavra que, por modéstia ou humildade, preferiu usar no diminutivo modinhas, criando assim o gênero poético-musical que iria converter-se na “mais rica das formas por que se manifesta a inspiração poética do nosso povo” (José Veríssimo).

É numerosa a bibliografia dos fins de setecentos e começos de oitocentos relativa à modinha, e nela é manifesta a primazia que escritores e viajantes dão à modinha brasileira, em confronto com a modinha portuguesa. O depoimento de William Beckford (1760—1844), datado de 1787, não deixa dúvida quanto à prioridade da modinha brasileira sobre a portuguesa. Teófilo Braga não hesita em afirmar a procedência brasileira da modinha.

Já a documentação musicográfica sofre a contingência de não ter tido o Brasil uma imprensa que documentasse a produção musical da época. Os mais antigos documentos saíram das oficinas e tipografias de Lisboa e Coimbra. Merece menção o Jornal / de / Modinhas / com acompanhamento de cravo / pelos melhores autores / dedicado / A Sua Alteza Real / Princesa do Brasil / por P. A. Marchal Milcent / no primeiro dia e no quinze de cada mez, sairá / uma modinha nova / Preço 200 Rs / Lisboa. Esse jornal foi editado a partir de 1792 e nele aparecem modinhas de Caldas Barbosa, cujo sucesso se refletiu no Brasil nas modinhas de Joaquim Manuel, outro mestiço brasileiro que teve a honra de ser editado em Paris, em 1824, num álbum de vinte modinhas harmonizadas por Sigismund Neukomm, o discípulo preferido de Joseph Haydn (1732—1809) que morou no Rio de Janeiro de 1816 a 1821.

Embora cultivada em Lisboa como música da aristocracia, foi no Brasil que a modinha se enraizou. Floresceu no I Reinado na obra de Cândido Inácio da Silva, Gabriel Fernandes da Trindade, padre José Maurício Nunes Garcia, padre Teles, Leal e outros. No II Reinado, a produção modinheira se enriqueceu com poemas dos melhores poetas, como Gonçalves Dias, Castro Alves, Álvares de Azevedo, Fagundes Varela, Casimiro de Abreu.

Musicalmente, porém, as edições brasileiras de então traziam o nome de compositores estrangeiros, que, atrelados ao estilo e ao gosto da ária da ópera italiana, não afinavam com o caráter nacional que a modinha já adquirira. Só nos fins do Império e começos da República, a modinha, já inteiramente aculturada, reflete a sensibilidade e o gosto do povo brasileiro.

A modinha se populariza. Deixa o recinto fechado dos salões e se expande nas ruas, ao relento, nas noites enluaradas, envolta nos acordes do instrumento que, no Brasil, se tornou o seu companheiro inseparável — o violão. É a fase em que pontificam Laurindo Rabelo, Xisto Bahia, Melo Morais Filho, Catulo da Paixão Cearense.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha - 2a. Edição - São Paulo - 1998.

terça-feira, 20 de março de 2012

Carpenters

Dupla musical da década de 1970, composta pelos irmãos Karen (1950-1983) e Richard Carpenter (1946). Com seu estilo melódico, eles levaram à parada de sucessos muitas canções no Top 40 da música americana, tornando-se representantes do soft rock e se incluindo entre os artistas mais representativos da década.

Durante sua carreira de mais ou menos 14 anos, os Carpenters gravaram 11 álbuns, cinco dos quais continham músicas que atingiram o Top 10 das paradas. Fizeram turnês nos Estados Unidos, no Reino Unido, no Japão, na Austrália, nos Países Baixos e na Bélgica.

A carreira da dupla chegou ao fim com a morte de Karen em 1983 de parada cardíaca em função de complicações da anorexia nervosa. A cobertura jornalística dada ao fato na época aumentou a consciência da opinião pública sobre as consequências das disfunções alimentares.

Nascidos em New Haven, Connecticut, Estados Unidos, (Richard Lynn Carpenter em 15 de outubro de 1946, e Karen Anne Carpenter em 2 de março de 1950), os irmãos Carpenter mudaram-se com seus pais - Harold (1908-1988) e Agnes (1915-1996) - para a Califórnia no verão de 1963 e se estabeleceram em Los Angeles, no subúrbio de Downey.

Durante a metade dos anos 1960, Richard e Karen tentaram lançar uma carreira musical, mas não obtiveram sucesso até o final dessa década. Em maio de 1966 Karen se juntou a Richard em uma sessão musical noturna no estúdio de garagem do baixista Joe Osborn, onde Richard estava para acompanhar o teste de uma vocalista. Quando lhe pediram que cantasse, Karen o fez e ganhou um contrato de curta duração como artista-solo no selo de Osborn, o Magic Lamp.

O single produzido incluiu duas das composições de Richard, "Looking for Love" e "I'll Be Yours", mas o selo logo acabou. Durante este período a dupla, com o baixista Wes Jacobs, formou o Richard Carpenter Trio em trio de jazz instrumental, que ganhou a Batalha das Bandas no Hollywood Bowl em 1966, mas foi recusado pela RCA, que duvidou do potencial comercial da banda.

Os irmãos logo se juntaram a quatro estudantes de Música da Universidade do Estado da Califórnia em Long Beach e formaram o sexteto Spectrum. Embora fizessem apresentações, não fecharam contrato com nenhuma gravadora.

Após o fim do Spectrum, os Carpenters decidiram continuar como dupla com Richard no piano, Karen na bateria e ambos como vocalistas. Contratados para tocar em uma festa no lançamento de um filme em 1969, a estrela desse filme, Petula Clark, apresentou-os ao músico e dono da A&M Records Herb Alpert, com quem a dupla assinou um contrato pela gravadora em 22 de abril de 1969.

Seu primeiro disco, Offering, tinha várias composições de Richard no tempo Spectrum e uma canção de muito sucesso dos Beatles, Ticket to Ride, que se transformou em um sucesso dos Carpenters a ponto de se tornar o título do álbum outrora denominado Offering, o que aumentou as vendas.

Os Carpenters estouraram nas paradas de sucesso em 1970 com a canção de Burt Bacharach e Hal David, (They Long to Be) Close to You (do disco de mesmo nome), que atingiu o topo e nele ficou por quatro semanas. A gravação seguinte, "We've Only Just Begun", atingiu o segundo lugar e se tornou o maior sucesso da dupla no final de 1970.

Vários sucessos mantiveram a dupla nas paradas no início da década, como "For All We Know", "Rainy Days and Mondays", "Superstar", Hurting Each Other", "It's Going to take some time" e "Goodbye to Love", "Sing" Yesterday Once More", dos álbuns Carpenters (1971), A Song for You (1972) e Now and Then (1973). "Top of the World" atingiu o topo das paradas em 1973. O álbum com os melhores sucessos entre 1969 e 1973 se tornou um dos mais vendidos da década, com mais de 7 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos.

Durante a primeira metade dos anos 1970, a música dos Carpenters foi um elemento principal das paradas Top 40. O duo produzia um som diferente com a voz de contralto de Karen no vocal principal, e ambos os irmãos nos vocais de fundo com harmonias densas. Ao seu papel como vocalista, pianista, tecladista e arranjador, Richard adicionou o de compositor em várias canções. Progressivamente, Karen deixou de ser a baterista do grupo, função desempenhada por outros bateristas, tais como Hal Blaine.

Para promover suas canções, a dupla manteve uma inacreditável agenda de apresentações e aparições na televisão. Em 1973, aceitaram um convite para se apresentar na Casa Branca para o presidente Richard Nixon e o chanceler da Alemanha Ocidental Willy Brandt.

A popularidade dos Carpenters frequentemente confundia os críticos. Com suas baladas doces e suaves, muitos diziam que o som do duo era meigo, piegas e meloso, enquanto a indústria fonográfica os premiava com Grammys (foram três).

Entre 1973 e 1974 não houve muito tempo para lançar material novo. Como resultado, os Carpenters não lançaram disco novo em 1974. No início de 1975 fizeram uma versão de um sucesso das Marvelettes, "Please Mr. Postman", que atingiu o primeiro lugar das paradas mas foi último a tingir esse posição. No mesmo ano "Only Yesterday" foi lançada, e entre 1975 e 1976 foram lançados os discos Horizon e A Kind of Hush. Mas a essa altura as canções não faziam mais o sucesso de antes, tanto que "Goofus

O álbum mais experimental Passage, lançado em 1977, representou uma tentativa de se aventurar por outros gêneros musicais com canções como "Don't Cry for me Argentina" da "ópera rock" Evita, "All You Get Form love is a Love Song", uma mistura de rock latino, com calipso e pop, além da intergaláctica "Calling Occupants of Interplanetary Craft", com acompanhamento de coral e orquestra.

No meio da década de 1970, o excesso de turnês e as longas sessões de gravação começaram a cobrar caro da dupla o esforço e contribuíram para as dificuldades profissionais enfrentadas no final dessa década. Karen fazia dietas obsessivamente e desenvolveu anorexia nervosa, a qual se manifestou pela primeira vez em 1975, quando uma exausta e enfraquecida Karen foi forçada a cancelar apresentações no Reino Unido e no Japão. Richard, enquanto isso, desenvolveu dependência de soníferos, que começaram a afetar seu desempenho no final dos anos 1970 e levaram ao fim das apresentações ao vivo da dupla em 1978 e à sua internação em uma clínica.

Em 1982, Karen foi a Nova York procurar tratamento com o psicoterapeuta Steven Levenkrom para suas desordens alimentares decorrentes da anorexia nervosa, voltando naquele mesmo ano disposta a refazer sua carreira. Ela rapidamente ganhou 5 quilos em uma semana, o que aumentou os danos a seu coração, resultado de anos de dieta e abusos (especialmente - conforme se diz - com o uso do Xarope de Ipecac, um forte emético - para induzir vômito).

Em 4 de fevereiro de 1983, Karen sofreu uma parada cardíaca na casa de seus pais em Downey e teve sua morte declarada no Hospital Memorial de Downey aos 32 anos.

Fonte: baseada na Wikipédia.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

John Lennon - Parte 1

John Lennon (John Winston Lennon), cantor, compositor, escritor e ativista, nasceu na cidade de Liverpool, Inglaterra, em 9 de outubro de 1940, e faleceu em Nova Iorque, NY, Estados Unidos, em 8 de dezembro de 1980. Ganhou notoriedade mundial como um dos fundadores do grupo de rock britânico The Beatles.

Na época da existência dos Beatles, John Lennon formou com Paul McCartney o que seria uma das melhores e mais famosas duplas de compositores de todos os tempos, a dupla Lennon/McCartney. John Lennon foi casado com Cynthia Powell, e com ela teve o filho Julian.

Em 1966, conheceu a artista plástica japonesa Yoko Ono. Em 1968, Lennon e Yoko produziram um álbum experimental, Unfinished Music No.1: Two Virgins, que causou controvérsia por apresentar o casal nu, de frente e de costas, na capa e contracapa. A partir deste momento, John e Yoko iniciariam uma parceria artística e amorosa. Cynthia Powell pediu o divórcio no mesmo ano, alegando adultério.

Em 1969, o casal se casou numa cerimônia privada no rochedo de Gibraltar. Usaram a repercussão de seu casamento para divulgar um evento pela paz, chamado de "Bed in", ou "John e Yoko na cama pela paz", como um resultado prático de sua lua-de-mel, realizada no Hotel Hilton, em Amsterdã. No final do mesmo ano, Lennon comunicou aos seus parceiros de banda que estava deixando os Beatles. Ainda no mesmo período, Lennon devolveu sua medalha de Membro do Império Britânico à Rainha Elizabeth, como uma forma de protesto contra o apoio do Reino Unido à guerra do Vietnã, o envolvimento do Reino Unido no conflito de Biafra e "o fraco desenvolvimento de Cold Turkey nas paradas de sucesso".

Em 10 de abril de 1970, Paul McCartney anunciou oficialmente o fim dos Beatles. Antes disso, John Lennon havia lançado outros dois álbuns experimentais, Life with lions e Wedding album. Também lançara o compacto "Cold Turkey" e o disco ao vivo Live peace in Toronto, creditados à banda Plastic Ono Band, com a participação de Eric Clapton. No final do ano, sai o primeiro disco solo de Lennon, após o fim dos Beatles: John Lennon/Plastic Ono Band, que contou com a participação de Ringo Starr, Yoko Ono e Klaus Voormann.

Durante a década de 1970, John e Yoko envolveram-se em vários eventos políticos, como promoção à paz, pelos direitos das mulheres e trabalhadores e também exigindo o fim da Guerra do Vietnã. Seu envolvimento com líderes da extrema-esquerda norte-americana, com Jerry Rubin, Abbie Hoffman e John Sinclair, além de seu apoio formal ao Partido dos Panteras Negras, deu início a uma perseguição ilegal do governo Nixon ao casal. A pedido do Governo, a Imigração deu início a um processo de extradição de John Lennon dos EUA, que durou cerca de três anos, período em que John ficou separado de Yoko Ono por 18 meses, entre 1973 e 1975.

Após reconciliar-se com Yoko, vencer o processo de imigração e conseguir o Green Card, Lennon decidiu afastar-se da música para dedicar-se à criação de seu filho Sean Taro Ono Lennon, nascido no mesmo dia de seu aniversário, em 1975. O casal voltou aos estúdios em 1980 para gravar um novo álbum, Double Fantasy, lançado em novembro. Era como um recomeço. Porém em 8 de dezembro do mesmo ano, John foi assassinado em Nova York por Mark David Chapman, quando retornava do estúdio de gravação junto com a mulher.

Dentre as composições de destaque de John Lennon (creditadas a Lennon/ McCartney) estão "Help!", "Strawberry Fields Forever" e "All You Need Is Love", "Revolution", "Lucy in the Sky with Diamonds", "Come Together", "Across the Universe, "Don't Let Me Down" e na carreira solo "Imagine", "Instant Karma!", "Happy Xmas (War is Over)", "Woman", "(Just Like) Starting Over" e "Watching the Wheels".

Infância e adolescência

Único filho de Alfred "Alf" Lennon (1912-1976) e Julia Lennon (1914-1958) (cujo sobrenome de solteira era Stanley). Os seus prenomes foram uma homenagem ao avô paterno John "Jack" Lennon e ao primeiro-ministro britânico à época Winston Churchill. Seu pai, Alf Lennon, trabalhava na marinha mercante durante a Segunda Guerra Mundial e mandava frequentemente dinheiro para a mulher e o filho que viviam em Liverpool na 9 Newcastle Road.[4] O dinheiro parou de vir quando Alf desertou. A casa em que John Lennon morou durante sua infância em Liverpool com sua Tia Mimi localizada na Menlove Avenue

Após ser muito criticada pela família Stanley a respeito de continuar casada e "viver em pecado" com Bobby Dykins, e a considerável pressão de sua irmã Mary "Mimi" Smith (que por duas vezes contactou o Serviço Social de Liverpool reclamando por John ter que dormir na mesma cama que o casal Julia e Bobby) Julia deixou o filho aos cuidados de Mimi. Em 1946, Alfred visitou a casa de Tia Mimi e levou John até Blackpool e secretamente planeou emigrar para a Nova Zelândia com o garoto. Após o fracasso de sua tentativa, Alfred largou o menino com Julia e não manteve contato com John até o início da Beatlemania, quando eles se reencontraram.

Julia pegou novamente John e levou-o para sua casa matriculando-o numa escola local, mas poucas semanas depois ela devolveu-o a Tia Mimi. Julia mais tarde comprou para John sua primeira guitarra. Como John tinha dificuldades em aprender acordes, Julia ensinou-os usando um banjo e um ukelele que eram instrumentos mais simples.

John estudou na Dovedale County Primary School até passar no exame Eleven-Plus (ou 11 +). Certa vez, ele citou um acontecimento que ocorreu na escola: "Quando eu tinha 5 anos, minha mãe sempre me disse que a felicidade era a chave para a vida. Quando eu fui para a escola, me perguntaram o que eu queria ser quando crescesse. Eu escrevi “feliz”. Eles me disseram que eu não entendi a pergunta, e eu lhes disse que eles não entendiam a vida." De 1952 a 1957, ele estudou na Quarry Bank Grammar School em Liverpool, onde ficou conhecido pelos seus desenhos e pelas suas mímicas. Nessa escola, em 1956, ele fundou uma banda de skiffle chamada The Quarrymen, que daria origem aos Beatles.

Em 15 de julho de 1958, após uma visita, Julia morreu atropelada por um policial, Eric Clague, que dirigia bêbado. Devido a esse fato, Paul e John acabaram se tornando mais próximos, pois Paul também perdeu a mãe muito jovem, tendo ele 14 anos quando ela morreu, de câncer.

John era um aluno problemático na escola, e mesmo assim foi aceito na Liverpool College of Art. Foi nesta escola que ele conheceu sua futura esposa Cynthia Powell e fez amizade com Stuart Sutcliffe. Devido à grande amizade formada, em 1960, Stuart entrou para sua banda de rock como contrabaixista e tempos depois abandonou a banda para se casar com uma alemã em Hamburgo. Stuart morreu em 1962, aos 21 anos de hemorragia cerebral.

The Quarrymen

Lennon fundou os Quarrymen em 1956, inicialmente uma banda de skiffle (ritmo que fazia sucesso na Inglaterra na época) com seu melhor amigo na época, Pete Shotton. Lennon cantava e tocava guitarra enquanto Shotton tocava uma tábua de lavar roupas (o skiffle usava esse instrumento para dar um som rítmico às canções). Na verdade, quando a banda foi formada ela se chamou "The Black Jacks", nome que durou apenas uma semana e foi substituído por The Quarrymen em homenagem a escola que os garotos estudavam. Para incorporar o grupo foram chamados Eric Griffths (violão), Bill Smith (baixo improvisado) e Rod Davis (banjo).

No dia 6 de junho de 1956, Ivan Vaughan apresentou Paul McCartney a John Lennon, após Paul ver The Quarrymen tocar em uma festa na Igreja de St. Peter. Paul demonstrou suas habilidades como músico a John e foi convidado a entrar para a banda. Em 1957, Paul McCartney mostrou a John sua primeira composição, "I've Lost My Little Girl" (ouvindo isto, John animou-se a compor também). Vale lembrar que John teve uma certa relutância em chamar Paul para a banda, uma vez que Paul demonstrasse "talento demais", segundo até alguns próprios integrantes de época, e sendo melhor que Lennon, causava um certo medo no jovem de ser jogado de lado. Mas, o jovem Lennon logo venceu essa relutância.

Em 1958, John começou a perder o interesse pelo skiffle, começando a tocar mais rock and roll. Rod Davis que tocava banjo saiu do grupo e, em fevereiro, George Harrison entrou para o grupo. Posteriormente, Stuart Sutcliffe (chamado também de Stu) também entrou para a banda como baixista. No verão do mesmo ano, eles gravaram em um disco de acetato de 78-rpm as canções "That'll Be the Day"(composição de Buddy Holly) e "In Spite of All the Danger" (composição de McCartney e Harrison).

Em 1960, a banda trocou de nome 5 vezes. Stu sugeriu o nome The Beetles (os besouros) em homenagem a banda The Crickets (os grilos), de Buddy Holly. Após uma turnê com Johnny Gentle na Escócia, eles mudaram definitivamente o nome para The Beatles.

The Beatles

John era um destaque na banda. Allan Williams agenciou alguns shows em clubes noturnos de Hamburgo para os Beatles em 1960. Na época os Beatles passaram a ser formados por John Lennon (guitarra), Paul McCartney (guitarra), George Harrison (guitarra), Stuart Sutcliffe (baixo) e Pete Best (bateria). A primeira viagem a Hamburgo foi uma tragédia. Eles dormiam dentro de um cinema abandonado, em condições precárias, e deviam seguir um contrato para tocar lá. Eles tocavam na casa noturna determinada, mas resolveram quebrar o contrato, tocando em outro lugar também. Assim, o homem que os contratou ficou furioso e denunciou George, que era menor de idade, e George foi deportado, gastando todo o dinheiro que ganhara. Além disso, a banda foi acusada de ter causado intencionalmente um incêndio no cinema. A desculpa deles foi de que, como não tinha luz, eles tentaram fazer uma fogueira e perderam o controle. Eles voltaram arrasados para Liverpool e este foi quase o fim da banda.

No dia 21 de março de 1961, os Beatles fizeram a primeira de uma série de apresentações no Cavern Club de Liverpool. Eles voltaram a Hamburgo em abril do mesmo ano. Gravaram um disco acompanhando Tony Sheridan na canção "My Bonnie". Stuart acabou abandonando a banda para se casar com a alemã Astrid Kirchherr e não voltou mais a Liverpool. Isso talvez tenha sido uma coisa boa, pois Stuart tocava mal a ponto de ser pressionado por Paul McCartney, chegando a ponto de bater no guitarrista no palco, e ele só entrara na banda devido a sua amizade e companheiros com John, que insistira demais, a ponto de ter feito o amigo gastar o dinheiro que ganhara como artista plástico, seu sonho de profissão, para comprar o contrabaixo. Assim, Paul McCartney virou o baixista da banda.

No dia 9 de novembro de 1961, Brian Epstein viu os Beatles pela primeira vez tocando no Cavern Club e mais tarde assinou um contrato para empresariá-los. No dia 31 de dezembro, eles foram a Londres tentar arrumar um contrato de gravação com a Decca Records, mas foram dispensados. Em abril de 1962, os Beatles voltaram a Hamburgo para tocar no Star Club e receberam a notícia da morte de Stu. Isso foi um choque para John que já havia perdido seu tio George, sua mãe Julia e agora seu amigo Stu.

Finalmente, assinaram um contrato de gravação em 9 de maio de 1962 com a Parlophone Records. George Martin, o produtor musical dos Beatles, sugeriu que eles trocassem de baterista, o que foi feito com a entrada de Ringo Starr também de Liverpool. Finalizava-se então a formação dos Beatles com John Lennon (guitarra), Paul McCartney (baixo), George Harrison (guitarra) e Ringo Starr (bateria).

Em 5 de outubro de 1962, os Beatles lançaram seu primeiro compacto com a canção "Love me Do". E no dia 11 de fevereiro de 1963, em apenas um dia, gravaram seu primeiro álbum Please Please Me. Não demorou muito para os Beatles se tornarem um grande sucesso na Inglaterra. E, com o posterior sucesso nos Estados Unidos, iniciava-se a beatlemania.

Na primeira fase do grupo, John era responsável pela maioria das composições dos Beatles, mesmo elas sendo assinadas como dupla Lennon/McCartney. Era evidente sua liderança e maior produtividade musical na banda. John Lennon também começou a desenvolver-se como letrista e compôs algumas canções mais intimistas influenciadas por Bob Dylan como "I'm a loser" e "You've got to hide your love away". Durante a segunda fase dos Beatles, John revelou-se cada vez mais um grande letrista. Entre suas composições estão "All you need is love", "Strawberry Fields Forever", "A day in the life" e "Across the Universe" entre outras.

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Fonte: Wikipédia.

John Lennon - Parte 2

Em 1966, John declarou em uma entrevista "O cristianismo vai desaparecer e encolher. Eu não preciso discutir isso, eu estou certo e eu vou provar agora Nós somos mais populares que Jesus agora, eu não sei qual será o primeiro - o rock 'n' roll ou o cristianismo. Jesus estava certo, mas seus discípulos eram grossos e ordinários."

A frase "somos mais populares que Jesus Cristo" repercutiu no mundo todo, recebendo ataques religiosos, gerando eventos em locais públicos de jovens religiosos queimando seus discos, e até mesmo grupos fanáticos esperaram a banda do lado de fora do show para tentar matá-los.

John pediu desculpas publicamente, alegando ter sido mal interpretado, se explicando logo depois. "Não sou antideus, nem anticristo, nem antireligião" disse ele. Ele também disse que a frase dele podia ter sido substituída por "a televisão é mais popular do que Jesus" que ia ser a mesma coisa e não faria tanto barulho.

Com isso e mais as suas letras polêmicas nas carreiras solos o deram a fama de ateu, mas ele declarou em uma entrevista que tem uma visão diferente de Deus. "Sim, eu acredito que Deus é como uma usina de força, que ele é um poder supremo, que não é nem bom nem ruim, nem de direita nem de esquerda, nem branco nem preto, Ele simplesmente É".

Devido à morte do empresário dos Beatles, Brian Epstein, em 1967 a banda começou a ter problemas sérios. O fracasso financeiro da Apple Corps, empresa criada pela banda, foi o começo. O clima começou a ficar tenso no estúdio, pois havia briga entre os membros. Em 1970, Paul McCartney anunciou o fim dos Beatles.

Logo após a separação, John deu uma entrevista a Revista Rolling Stone, onde ele mostrou ressentimentos relacionados a Paul McCartney e aos Beatles. Segundo ele, os Beatles tratavam Yoko hostilmente. Ele também alegava não ter o espaço que queria na banda, que a banda perdera o sentido, e até revelou sua forte insegurança em trabalhar ao lado de Paul McCartney, algo que desde quando eles se conheceram, havia o atingido. Quando viu Paul tocando pela primeira vez, se encantou, e Paul foi amigável, ensinou Lennon a tocar duas músicas que ele estava tocando errado, e John quisera ele em sua banda de primeira, mas também revelava ciúme quanto a ele. John tivera dificuldades quando começou a tocar guitarra, enquanto Paul era um prodígio com instrumentos ainda mais novo. Durante o período logo após a separação da banda, Lennon demosntrava agressividade nas entrevistas quanto a Paul McCartney, alegando até que com ele, conforme os anos, os Beatles iam se tornando a "banda de apoio" que o Paul desejava deles. Ele falou tanta coisa da banda que em outra entrevista anos depois, quando as coisas se acalmaram, ele retirou algumas de suas declarações e voltou a ocasionalmente ter contato com os antigos amigos, mas isto foi perto de sua morte.

Em 1966, junto com seus colegas de banda, Lennon foi agraciado com a medalha da Ordem do Império Britânico (MBE). Em 1969, devolveu sua medalha à Rainha, em protesto contra a Guerra do Vietnã e contra o envolvimento do Império Britânico no conflito de Biafra. Mesmo se tratando de uma alta honraria, o título de Sir é mais distinto do que o de Membro do Império, por se tratar de um título nobiliárquico de mais alto valor, equivalente a "Cavaleiro do Comandante do Império" (Knight of the Britsh Empire). Apenas Paul McCartney recebeu a distinção, no ano de 1997, por isso, é incorreto chamar Lennon e os outros membros da banda de "Sir".

Carreira solo

Junto a Yoko Ono, John começou sua carreira solo mesmo ainda fazendo parte dos Beatles, mas sem muito sucesso. Ele lançou o primeiro álbum, Two Virgins, em novembro de 1968. Two Virgins era um álbum experimental e que trouxe gravações caseiras. A capa do álbum causou polêmica, pois os dois apareceram nus. Um mês antes do lançamento do álbum, eles foram presos pela polícia por porte de drogas.

Após o casamento em Gibraltar, em março de 1969, eles realizaram o primeiro "Bed-in for Peace" no hotel Hilton em Amsterdam, nos Países Baixos. "Bed-ins" era conferências de imprensa em favor da paz, realizados em uma cama de hotel. O movimento não foi bem aceito pela imprensa e eles acabaram sendo ridicularizados por ela. Em maio do mesmo ano, lançaram o segundo álbum Life With The Lions e realizaram o segundo "bed-in", em um hotel da cidade de Montreal, Canadá, onde gravaram a canção "Give Peace a Chance" que se tornaria posteriormente em hino a favor da paz.

Ainda em 69, lançaram o compacto com a canção "Give Peace a Chance". Em outubro, foi a vez do compacto com a canção "Cold Turkey" e em novembro, o álbum chamado Wedding Album. John quis lançar a canção "Cold Turkey" em compacto com os Beatles, mas como eles não estavam dispostos a incluí-la em um compacto, ele a gravou sozinho com Yoko.

John devolveu sua MBE (Membro do Império Britânico) que ele havia recebido da rainha Elizabeth II, no mês de novembro de 1969, em protesto contra o envolvimento britânico na guerra do Biafra e contra o apoio dado aos Estados Unidos na guerra do Vietnã.

Ele foi convidado a participar junto a Yoko Ono do Rock'n Roll Revival Concert de Toronto que contou com a participação, entre outros, de Chuck Berry e Little Richard. O show foi realizado em setembro de 1969, e virou o álbum solo de John, Live Peace in Toronto. A banda que acompanhou John Lennon no show incluiu Eric Clapton na guitarra Klaus Voorman (antigo amigo da época de Hamburgo) no baixo, e Allan White na bateria (integrante da banda de rock Yes).

Anos 1970

Após a separação dos Beatles, Lennon lançou seu álbum John Lennon Plastic Ono Band em dezembro de 1970. Era o primeiro álbum solo oficial depois dos três álbuns experimentais e do álbum ao vivo lançados enquanto ainda estava nos Beatles. Na época, John e Yoko participavam da terapia primal do Dr. Arthur Janov em Los Angeles. Através da terapia, Lennon tentou lidar com seus traumas da infância (abandono, isolamento e morte). De volta a Inglaterra, John chamou o produtor Phil Spector e começou as gravações do álbum. Participaram do álbum o ex-beatle Ringo Starr, além de Billy Preston e Alan White, futuro membro do Yes. John Lennon fala do abandono da mãe e do pai na canção "Mother". Na canção "God" John diz a famosa frase "O sonho acabou" em referência aos Beatles, e afirma ainda não acreditar nos Beatles nem em Jesus.

Em 1971, John atinge o sucesso com o álbum Imagine. A faixa-título faz muito sucesso e torna-se um hino da paz no mundo inteiro. Neste álbum, John ataca o ex-parceiro musical, Paul McCartney com a canção "How do you sleep?". Na canção, John acusa Paul de fazer "canção muzak" (canções que são tocadas em elevador) e diz que a única coisa que Paul escreveu bem foi a canção "Yesterday", e que desde que abandonou os Beatles que as suas canções são desinteressantes ("The only thing you done was yesterday and since you're gone you're just another day"). John alegou que Paul sempre o atacava sutilmente em seus discos (Paul admitiu que tinha feito referências a John no disco Ram) e que "How do you sleep?" era uma resposta a essas provocações. Paul, muitos anos depois, responderia aos muitos críticos que o acusavam de fazer "Silly Songs" com a canção "Silly Love Songs". "Jealous Guy" foi originalmente composta por John em 1968, tinha uma letra diferente e se chamava "Child of Nature". Os Beatles até chegaram a ensaiá-la para o álbum duplo The Beatles, mas ela acabou ficando de fora do mesmo. "Gimme Some Truth" foi gravada com os Beatles durante as sessões de Let it Be, mas também ficou de fora do álbum Let it be. George Harrison tocou guitarra na canção "How do you sleep?". Yoko participa do álbum como co-produtora, além de ser co-autora da canção "Oh My Love", uma das mais belas do disco. John viria a dizer, pouco antes de sua morte, que parte da letra de "Imagine" era de Yoko, apesar de ele não haver creditado a parceria à esposa. O álbum atingiu o primeiro lugar nas paradas de sucesso americana e inglesa.

Em 1971, John e Yoko mudaram-se para Nova Iorque, nos Estados Unidos e no ano seguinte realizaram o álbum Some Time in New York City, com canções dele e de Yoko. Na época, John recebia em sua casa vários ativistas e criticava a postura política do presidente americano Richard Nixon. Anos mais tarde, o FBI confessou que investigava a vida de John por causa de seu envolvimento político. O álbum também trazia canções de postura anti-racial, contra a brutalidade policial e anti-sexista como na canção "Woman is The Nigger of The World" entre outros temas. A canção chamada "Sunday Bloody Sunday" era em referência ao domingo sangrento acontecido na Irlanda. No álbum foram incluídas algumas gravações ao vivo, uma que trazia John em um show em Londres em 1969 organizado pela Unicef e outro gravado em Fillmore East em 1971 com Frank Zappa e The Mothers of Invention.

Em 1973, John lançou o álbum Mind Games que marca o início de sua separação de Yoko Ono, por iniciativa dela. John mudou para Los Angeles e teve um caso com uma assistente, May Pang. Nesta época ele afundou no uso do álcool e por várias vezes se envolveu em brigas e confusões. Um de seus mais frequentes companheiros de farra era o cantor Harry Nilsson, de quem ele produziu o disco Pussy Cats. Mantinha sempre contato com Yoko e queria voltar para Nova Iorque, mas a esposa dizia ainda não ser o momento.

Em 1974, John ainda com May Pang, passou a maior parte do tempo em bebedeiras com amigos como Ringo Starr, Harry Nilsson e Keith Moon. Lançou neste ano o álbum Walls And Bridges. Alcançou sucesso com as canções "#9Dream" e "Whatever Gets You Thru The Night", esta, com a participação de Elton John no piano e vocalização. Um mês após o lançamento do álbum, ele participou do show de Elton John no Madison Square Garden na cidade de Nova Iorque. E pouco tempo depois, voltou a viver com Yoko Ono, largando May Pang. Vários anos após a morte de John Lennon, Yoko apagaria a voz de May que aparecia no coro de "#9 Dream".

No ano seguinte, John lançou o álbum Rock and Roll, que apresentava suas versões covers para rock antigos que ouvia na sua adolescência. Conseguiu fazer sucesso com a canção "Stand by Me" composição de Jerry Leiber, Mike Stoller e Ben E. King.

Na época da gravação do álbum Rock'n Roll, Yoko engravidou de John Lennon e após o nascimento do seu filho, Sean, John abandonou a carreira para se dedicar ao filho e a família. Ainda em 1975, John ganhou o Green card americano, o que lhe deu direito de permanecer morando nos Estados Unidos, mesmo sendo estrangeiro.

Após cinco anos de reclusão, em 1980, John Lennon voltou a gravar um novo álbum, Double Fantasy. Durante este período de reclusão, John gravou alguma coisa em sua casa e compôs algumas canções. O álbum foi dividido entre canções de Lennon e Yoko. Em "(Just Like)Starting Over", John faz referências à sua volta. "Starting Over" e "Woman" atingiram o primeiro lugar nas paradas de sucesso. Ainda fizeram sucesso "Watching the Wheels" e "Beautiful Boy", sucesso que foi impulsionado pela morte de John Lennon.

Morte de John Lennon

Na noite de 8 de dezembro de 1980, quando voltava para o apartamento onde morava em Nova Iorque, no edifício Dakota, em frente ao Central Park, John foi abordado por um rapaz que durante o dia havia lhe pedido um autógrafo em um LP Double Fantasy em frente ao Dakota. O rapaz era Mark David Chapman, um fã dos Beatles e de John, que acabou disparando 5 tiros com revólver calibre 38, os quais 4 acertaram em John Lennon. A polícia chegou minutos depois e levou John na própria viatura para o hospital. O assassino permaneceu no local com um livro nas mãos, O Apanhador no Campo de Centeio de J.D. Salinger. John morreu após perder cerca de 80% de seu sangue, aos quarenta anos de idade.

Logo após a notícia da morte de John Lennon, que correu o mundo, uma multidão se juntou em frente ao Dakota, com velas e cantando canções de John e dos Beatles. O corpo de John foi cremado no Cemitério de Ferncliff, em Hartsdale, cidade do estado de Nova Iorque, e suas cinzas foram guardadas por Yoko Ono.

O assassino foi preso, pois permaneceu no local, esperando os policiais chegarem. Ao entrar na viatura, pediu desculpas aos policiais pelo "transtorno que havia causado". Em seu julgamento alegou ter lido em "O apanhador no Campo de Centeio" uma mensagem que dizia para matar John Lennon. Acabou sendo condenado à prisão perpétua e até hoje é mantido numa cela separada de outros presos, devido às ameaças de morte que recebeu. Segundo Chapman, o motivo do crime foram declarações de Lennon consideradas por Chapman como blasfêmia, como se declarar mais popular que Cristo e dizer em suas letras de músicas coisas como não acreditar em Jesus e dizer que todos imaginassem que os céus, em sentido espiritual, não existissem.

Após a morte de John, foi criado um memorial chamado Strawberry Fields Forever no Central Park, em frente ao Dakota. Alguns discos póstumos foram lançados, como Milk and Honey, com sobras de canções do disco Double Fantasy. Várias coletâneas e um disco chamado Accoustic foram lançados em 2005. Yoko Ono administra tudo o que se refere a John Lennon, suas canções em carreira solo, seus vídeos e filmes.

Uma das últimas fotos de John Lennon vivo, feita pelo fotógrafo amador Paul Goresh, exibe Lennon autografando o álbum Double Fantasy para seu futuro assassino. A última fotografia de John Lennon vivo, também tirada por Paul Goresh, mostra o músico de perfil enquanto entra em sua limosine.

Discografia de John Lennon

Unfinished Music No.1: Two Virgins (1968)
Unfinished Music No.2: Life with the Lions (1969)
Wedding Album (1969)
Live Peace In Toronto (1969)
Plastic Ono Band (1970)
Imagine (1971)
Sometime In New York City (com Yoko Ono) (1972)
Mind Games (1973)
Walls And Bridges (1974)
Rock 'n' Roll (1975)
Shaved Fish (coletânea) (1975)
Double Fantasy (com Yoko Ono) (1980)
The John Lennon Collection (coletânea) (1982)
Milk And Honey (com Yoko Ono) (1984)
Live In New York City (show gravado em 1972) (1986)
Menlove Ave (1986)
Imagine: John Lennon (1988)
Lennon (Box com 4 cds) (1990)
Lennon Legend (coletânea) (1997)
John Lennon Anthology (1998)
Wonsaponatime (1998)
Accoustic (2004)
Peace, Love & Truth (2005)
Working Class Hero: The definitive John Lennon (coletânea) (2005)
The US Versus John Lennon (coletânea) (2006)

Fonte: Wikipédia.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O som das flautas pré-históricas

Há 24.000 anos, as flautas e gaitas feitas de madeira e pedra produziam um som que lembra o jazz e o blues contemporâneos. A descoberta é do inglês Graeme Lawson, do Levantamento Arqueológico Musical, em Cambridge.

Para achar a escala musical das bandas primitivas, Lawson está analisando a construção das flautas e as marcas microscópicas deixadas pelos dedos sobre elas. Ele encontrou uma estrutura básica semelhante à escala moderna, em que o intervalo entre uma nota e outra tem uma diferença de 5,9% na freqüência do som. De vez em quando aparece uma nota estranha, num intervalo que mais lembra os dos gaitistas escoceses.

O arqueólogo achou também sinais do movimento típico dos jazzistas, de escorregar o dedo sobre os buracos da flauta para mixar duas notas.

Mas por que então a maior parte das flautas foi achada junto com lixo pré-histórico?

Segundo Lawson, é que era muito difícil fazer buracos perfeitos, nas distâncias adequadas. A maior parte da produção era jogada fora.

Fonte: Revista Superinteressante

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O rei do Blues


B. B. King (Riley Ben King), guitarrista, pianista e cantor (vocalista) de Blues, nasceu em uma plantação de algodão, em Itta Bena, Mississipi, EUA, em 16 de setembro de 1925. O "B. B." em seu nome significa Blues Boy, seu pseudônimo como moderador na rádio WDIA.

Teve uma infância difícil – aos 9 anos, o bluesman vivia sozinho e colhia algodão, trabalho que lhe rendia 35 centavos de dólar por dia. Começou por tocar, a troco de algumas moedas, na esquina da Igreja com a Second Street.

No ano de 1947, partia para Memphis, no Tennessee, apenas com sua guitarra e $2,50 dólares. Como pretendia seguir a carreira musical, a cidade de Memphis, cidade onde se cruzavam todos os músicos importantes do Sul, sustentava uma vasta competitiva comunidade musical em que todos os estilos musicais negros eram ouvidos.

Nomes como Django Reinhardt, Blind Lemon Jefferson, Lonnie Johnson, Charlie Christian e T-Bone Walker tornaram-se ídolos de B. B. King.

"Num sábado à noite ouvi o som uma guitarra elétrica que tocava espirituais negros. Era T-Bone interpretando "Stormy Monday" e foi o som mais belo que alguma vez ouvi na minha vida." recorda B. B. King, "Foi o que realmente me levou a querer tocar Blues".

A primeira grande oportunidade da sua carreira surgiu em 1948, quando atuou no programa de rádio de Sonny Boy Williamson, na estação KWEM, de Memphis. Sucederam-se atuações fixas no "Grill" da Sixteenth Avenue e mais tarde um spot publicitário de 10 minutos na estação radiofônica WDIA, com uma equipe e direção exclusivamente negra. "King’s Sport", patrocinado por um tônico, tornou-se então tão popular que aumentou o tempo do transmissão e se transformou no "Sepia Swing Club".

King precisou de um nome artístico para a rádio. Ele foi apelidado de "Beale Blues Boy", como referência à música "Beale Street Blues", foi abreviado para "Blues Boy King" e eventualmente para B. B. King. Por mera coincidência, o nome de KING já incluia a simples inicial "B", que não correspondia a qualquer abreviatura.

Pouco depois do seu êxito "Three O'Clock Blues", em 1951, B. B. King começou a fazer turnês nacionais sem parar, atingindo uma média de 275 concertos/ano. Só em 1956 B. B. King e a sua banda fizeram 342 concertos! Dos pequenos cafés, teatros de "gueto", salões de dança, clubes de jazz e de rock, grandes hotéis e recintos para concertos sinfónicos aos mais prestigiados recintos nacionais e internacionais, B. B. King depressa se tornou o mais conceituado músico de Blues dos últimos 40 anos, desenvolvendo um dos mais prontamente identificáveis estilos musicais de guitarra, a nível mundial.

O seu estilo foi inspirador para muitos guitarristas de rock. Mike Bloomfield, Albert Collins, Buddy Guy, Freddie King, Jimi Hendrix, Otis Rush, Johnny Winter, Albert King, Eric Clapton, George Harrison e Jeff Beck foram apenas alguns dos que seguiram a sua técnica como modelo.

Em 1969, B. B. King foi escolhido para a abertura de 18 concertos dos Rolling Stones. Em 1970 fez uma turnê por Uganda, Lagos e Libéria, com o patrocínio governamental dos EUA.

Começou a participar da maioria dos festivais de Jazz por todo o mundo, incluindo o Newport Jazz Festival e o Kool Jazz Festival New York, e sua presença tornou-se regular no circuito por universidades e colégios.

Em 1989 fez uma tournê de três meses pela Austrália, Nova Zelândia, Japão, França, Alemanha Ocidental, Países Baixos e Irlanda, como convidado especial dos U2, participando igualmente no álbum "Rattle and Hum", deste grupo, com o tema "When Love Comes to Town".

Em 26 de Julho de 1996, B. B. King, aproveitando o fato de ter um concerto agendado para Stuttgart, deslocou-se propositalmente de avião até à base aérea de Tuzla, para atuar perante tropas da Suécia, Rússia, Bélgica e EUA., estacionadas na Bósnia num esforço conjunto de manutenção da paz. No dia seguinte, voou para a base aérea de Kapsjak, para nova atuação junto de tropas norte-americanas. B. B. King confessa: "Foi emocionante atuar para estes homens e mulheres. Apreciamo-los e queremos que eles saibam que têm o nosso total apoio na sua árdua tarefa de manutenção da paz."

B. B. King terminou 1996 com uma turne pela América Latina, com concertos no México, Brasil, Chile, Argentina, Uruguai e, pela primeira vez, no Peru e Paraguai. O "Rei dos Blues" totaliza mais de 90 países onde atuou até hoje.

Ao longo dos anos tem sido agraciado com diversos Grammy Awards: melhor desempenho vocal masculino de Rhythm & Blues, em 1970, com "The Thrill is Gone", melhor gravação étnica ou tradicional, em 1981, com "There Must Be a Better World Somewhere", melhor gravação de Blues tradicionais, em 1983, com "Blues'N Jazz" e em 1985 com "My Guitar Sings the Blues". Em 1970, Indianopola Missisipi Seeds concede-lhe o "Grammy" de melhor capa de álbum. A Gibson Guitar Co. nomeou-o "Embaixador das guitarras Gibson no Mundo".

Curiosidades

Uma das imagens de marca de King é chamar às sua guitarras o nome de "Lucille" - uma tradição que vem desde a década de 1950. No inverno de 1949, King se apresentou num salão de dança em Twist, no Arkansas. Com o intuito de aquecer o salão, acendeu-se um barril meio cheio de querosene no centro do salão, prática muito comum na época. Durante a apresentação, dois homens começaram a brigar e entornaram o barril que imediatamente espalhou chamas por todo o lado. Durante a evacuação, já fora do estabelecimento, King apercebeu-se de que tinha deixado a sua guitarra de 30 dólares no edifício em chamas. Voltou a entrar no incêndio para reaver a sua Gibson acústica, escapando por um triz. Duas pessoas morreram no fogo. No dia seguinte, soube que os dois homens tinham começado a briga devido a uma mulher chamada Lucille. A partir dessa altura, passou a designar as suas guitarras por esse nome, para "se lembrar de nunca mais fazer uma coisa daquelas."

Quando foi perguntado a John Lennon sobre sua maior ambição, ele disse que era tocar guitarra como B.B. King. BB King era considerado o melhor guitarrista do mundo por Jimi Hendrix.

Sobre suas guitarras utilizadas, iniciou utilizando uma Fender Telecaster. Depois passou a utilizar uma Gibson ES-335, modelo que foi substituído pela B. B. King Lucille, um modelo baseado na ES-345.

Uma das características de King é chamar às sua guitarras o nome de "Lucille" - uma tradição que vem desde a década de 1950.

No dia 19 de dezembro de 1997, apresentou Lucille ao Papa João Paulo II em um concerto no Vaticano.

No dia 5 de novembro de 2000, doou uma cópia autografada de Lucille para o Museu de Música Nacional, Estados Unidos da América.

Discografia de Compactos simples


1949 - "Miss Martha King"; "Got the Blues".
1950 - "Mistreated Woman"; "The Other Night Blues"; "I Am"; "My Baby's Gone".
1951 - "B. B. Blues"; "She's a Mean Woman"; "Three O'Clock Blues"
1952 - "Fine-Looking Woman"; 'Shake It Up and Go"; "Someday, Somewhere"; "You Didn't Want Me"; "Story from My Heart and Soul".
1953 - "Woke Up this Morning with a Bellyache"; "Please Love Me"; "Neighborhood Affair"; "Why Did You Leave Me"; "Praying to the Lord".
1954 - "Love Me Baby"; "Everything I Do Is Wrong"; "When My Heart Beats Like a Hammer"; "You Upset Me Baby".
1955 - "Sneaking Around"; "Every Day I Have the Blues"; "Lonely and Blue"; "Shut Your Mouth"; "Talkin' the Blues"; "What Can I Do (Just Sing the Blues)"; "Ten Long Years".
1956 - "I'm Cracking Up Over You"; "Crying Won't Help You"; "Did You Ever Love a Woman?"; "Dark Is the Night, Pts. I & II"; "Sweet Little Angel"; "Bad Luck"; "On My Word of Honor".
1957 - "Early in the Morning"; "How Do I Love You"; "I Want to Get Married"; "Troubles, Troubles, Troubles"; "(I'm Gonna) Quit My Baby"; "Be Careful with a Fool"; "The Keyblade to My Kingdom".
1958 - "Why Do Everything Happen to Me"; "Don't Look Now, But You Got the Blues"; "Please Accept My Love"; "You've Been an Angel"; "The Fool".
1959 - "A Lonely Lover's Plea"; "Time to Say Goodbye"; "Sugar Mama".
1960 - "Sweet Sixteen, Pt. I"; "You Done Lost Your Good Thing"; "Things Are Not the Same"; "Bad Luck Soul"; "Hold That Train."
1961 - "Someday Baby"; "Peace of Mind"; "Bad Case of Love".
1962 - "Lonely"; "I'm Gonna Sit Till You Give In"; "Down Now".
1963 - "The Road I Travel"; "The Letter"; "Precious Lord".
1964 - "How Blue Can You Get"; "You're Gonna Miss Me"; "Beautician Blues"; "Help the Poor"; "The Worst Thing in My Life";  "Rock Me Baby"; "The Hurt"; "Never Trust a Woman"; "Please Send Me Someone to Love"; "Night Owl".
1965 - "I Need You"; "All Over Again"; "I'd Rather Drink Muddy Water"; "Blue Shadows"; "Just a Dream"; "You're Still a Parallelogram"; "Broken Promise".
1966 - "Eyesight to the Blind"; "Five Long Years"; "Ain't Nobody's Business"; "Don't Answer the Door, Pt. I"; "I Say in the Mood"; "Waitin' for You".
1967 - "Blues Stay Away"; "The Jungle"; "Growing Old".
1968 - "Blues for Me"; "I Don't Want You Cuttin' Off Your Hair"; "Shoutin' the Blues"; "Paying the Cost to Be the Boss"; "I'm Gonna Do What They Do to Me"; "The B. B. Jones"; "You Put It on Me"; "The Woman I Love";
1969 - "Get Myself Somebody"; "I Want You So Bad"; "Get Off My Back Woman"; "Why I Sing the Blues"; "Just a Little Love"; "I Want You So Bad".
1970 - "The Thrill Is Gone"; "So Excited"; "Hummingbird"; "Worried Life"; "Ask Me No Questions"; "Chains and Things".
1971 - "Nobody Loves Me But My Mother"; "Help the Poor" (regravação); "Ghetto Woman"; "The Evil Child".
1972 - "Sweet Sixteen" (regravação); "I Got Some Help I Don't Need"; "Ain't Nobody Home"; "Guess Who".
1973 - "To Know You Is to Love You".
1974 - "I Like to Live the Love"; "Who Are You"; "Philadelphia".
1975 - "My Song"; "Friends".
1976 - "Let the Good Times Roll".
1977 - "Slow and Easy".
1978 - "Never Make a Move Too Soon"; "I Just Can't Leave Your Love Alone".
1979 - "Better Not Look Down".
1981 - "There Must Be a Better World Somewhere".
1985 - "Into the Night"; "Big Boss Man".
1988 - "When Love Comes to Town" (com U2).
1992 - "The Blues Come Over Me"; "Since I Met You Baby".
2000 - "Riding with the King" (com Eric Clapton).

Discografia de Álbuns

King of the Blues (1960); My Kind of Blues (1960); Live at the Regal (Live, 1965); Lucille (B.B. King álbum)|Lucille (1968);  Live and Well (1969); Completely Well (1969); Indianola Mississippi Seeds (1970); B.B. King in London (1971); Live in Cook County Jail (1971); Live in Africa (1974); Lucille Talks Back (1975); Midnight Believer (1978); Live "Now Appearing" at Ole Miss (1980); There Must Be a Better World Somewhere (1981); Love Me Tender (B.B. King álbum)|Love Me Tender (1982); Why I Sing the Blues (1983); B.B. King and Sons Live (B.B. King Album)|B.B. King and Sons Live (Live, 1990); Live at San Quentin (1991); Live at the Apollo (B.B. King álbum)|Live at the Apollo (Live, 1991); There is Always One More Time (1991); Deuces Wild (álbum)|Deuces Wild (1997); Riding with the King (B.B. King and Eric Clapton álbum)|Riding with the King (2000); Reflections (B.B. King álbum)|Reflections (2003); The Ultimate Collection (B.B. King álbum)|The Ultimate Collection (2005);   80 (album)|B.B. King & Friends: 80 (2005); One Kind Favor (2008).

Fonte: Wikipédia.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Aqueles olhos verdes

Conchita Utrera
Aquellos ojos verdes (bolero - Cuba, 1929) - Canción dedicada a los ojos de Conchita Utrera - foto) - Primera grabación original hecha de este bolero por sus mismos compositores, los cubanos Nilo Menéndez y Adolfo Utrera. Adolfo Utrera (Voz), Nilo Menéndez (Piano) y Ernesto Lecuona (Piano) - Grabada en Nueva York en 1930.

Fueran tus ojos los que me dieron / El tema dulce de mi canción / Tus ojos verdes claros serenos / Ojos que han sido mi inspiración

Aquellos ojos verdes / De mirada serena / Dejaron en mi alma / Eterna sede amar / Anhelos de caricias / De besos y ternuras / De todas las dulzuras / Que sabían brindar

Aquellos ojos verdes / Serenos como un lago / En cuyas quietas aguas / Un día me miré / No saben las tristezas / Que en mi alma han dejado  / Aquellos ojos verdes / Que yo nunca besaré.


Fonte: MPB Cifrantiga.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Michael Jackson, o Rei do Pop


Michael Joseph Jackson (Gary, Indiana, 29/08/1958 - Los Angeles, California, 25/06/2009), cantor, compositor, dançarino, produtor e empresário americano, em pouco tempo se tornou a figura mais talentosa e aclamada da música pop mundial, fazendo videoclipes e performances sempre elogiadas e batendo milhares de recordes.

O rei do pop vendeu mais de 750 milhões de álbuns, emplacando sucessos desde pequeno, é tido como o maior revolucionário do videoclipe e da dança e o maior artista de todos os tempos (certificado pelo Guinness Book). Em 45 anos de carreira e milhares de fãs espalhados pelo mundo, ainda foi reconhecido por seus escândalos na vida pessoal e por ser dono do álbum mais vendido de todos os tempos: Thriller, com cerca de 65 milhões de cópias vendidas e após sua morte chegando a incrivel marca de 100 milhões de cópias, até 2010.

Desde pequeno, conquistava o mundo, juntamente com seus irmãos, no grupo The Jackson 5, onde se tornou o vocalista ao completar 5 anos de idade. O grupo fez um tremendo sucesso entre o final dos anos 60 e durante os anos 70. Ainda nesta década, lançou alguns álbuns paralelos ao grupo, pela gravadora Motown que garantiram sucesso, entre eles "Got To Be There" (1971), "Ben" (1972) e "Music And Me" (1973).

Em 1979, lançou-se de vez em carreira solo com o álbum Off The Wall que vendeu mais de 20 milhões de cópias e se tornou um clássico da Black Music, sendo considerado pelos críticos um dos melhores álbuns do gênero na história da musica, sendo o primeiro a emplacar 4 canções no Top 10 da Billboard. “Don’t Stop ‘Til Get Enough” e “Rock With You” foram os maiores sucessos. Mas foi em 1982 que chegou ao seu auge com "Thriller", que se tornou o álbum mais vendido de todos os tempos, que ultrapassou a marca de 110 milhões cópias vendidas.

O cantor virou mania mundial, colocando várias canções no topo das paradas e revolucionando o mundo da música (sendo o 1° artista a unir o POP com a Black Music), dos videoclipes (com "Thriller", que criou e popularizou o conceito de videoclipe usado até hoje) e da dança (com a apresentação de Billie Jean e o passo de dança Moonwalk). O sucesso foi tão grande que quebrou todos os preconceitos musicais contra os negros e bateu recordes no Grammy (Oscar da música) e na Billboard. Entre os classicos do álbum estão “Beat It”, “Billie Jean”, “Thriller” e “Wanna Be Starting Somethin”.

Em 1985, compôs junto com Lionel Ritche, a canção "We Are The World", o intuito do projeto era fazer doações para as crianças africanas que passavam fome. A música foi um sucesso, tornando-se um hino da solidariedade. Em 1987, lançou Bad, seu 3° álbum de estúdio. Foram cerca de 30 milhões de cópias vendidas, nada igual a Thriller, mais uma marca muito considerável, tornando-se o álbum mais vendido daquela época. Nas paradas, o álbum bateu recordes, colocando 5 músicas direto no 1° lugar (entre elas "Bad" e "The Way You Make Me Feel" e "Man In The Mirror").

Em 1988 foi lançado em VHS o filme ‘Moonwalker’, outro sucesso de vendas seguido também pela “Bad Tour”, a primeira turnê a passar dos 100 milhões de dólares em faturamento, com 4.4 milhões de espectadores. Jackson fechou a década de 80 como o maior artista dela.

Em 1991, seu novo clipe, Black Or White, estreou simultaneamente em 27 países com uma audiência de 500 milhões de espectadores, uma marca inacreditável, fazendo assim, a música "Black Or White" ser o maior sucesso de seu novo disco, esse chamado Dangerous que vendeu 32 milhões de cópias, superando o anterior Bad. Músicas como Remember The Time, Heal The World e In The Closet também garantiram muito sucesso com clipes elogiados. A “Dangerous Tour” em 1993 foi um fenômeno de público e tecnologia, passando inclusive pelo Brasil e sendo muito elogiada pelos críticos de shows.

Em 1995, o álbum duplo de History, chegou às lojas, vendendo mais de 18 milhões de unidades, emplacando vários sucessos, entre eles "Scream" (dueto com sua irmã Janet Jackson, que teve o videoclipe mais caro da história), "You Are Not Alone", (primeira música a estrear direto no 1° lugar na parada da Billboard), "Earth Song" (sucesso absoluto na Europa com clipe muito elogiado) e "They Don’t Care About Us" (música polêmica com videoclipe gravado no Pelourinho e Rio de Janeiro, Brasil). History se tornou o álbum duplo mais vendido da área pop. Na mesma época se casou com Lisa Marie Presley, filha de Elvis Presley, casamento que durou 18 meses e foi muito criticado pela imprensa.

Em 1996, iniciou a History Tour que foi uma das turnês mais bem sucedidas e elogiadas em todos os tempos. Juntamente com os shows foi lançado um álbum de remixes. Naquele ano, o Rei do Pop se divorciou de Lisa Marie e casou com sua enfermeira, com a qual teve dois filhos. Foi considerado então o maior artista pop masculino da década de 90. Em 2000 recebeu o prêmio de Artista do Milênio (Milenium Awards), em 2002 Popstar do Milenio (Bambi Awards) e em 2006 Maior Artista de Todos Os Tempos, pelo Guinness Book, o livro dos recordes.

Em 2001, após seis anos sem lançar um álbum inédito, lançou Invincible que, graças a brigas entre ele e a gravadora Sony, teve uma baixa divulgação e não obteve o sucesso esperado. Com oito milhões de cópias vendidas até hoje, sendo 5.5 milhões delas nos 2 primeiros meses, Invincible ainda conseguiu emplacar o hit "You Rock My World".

Muitas polêmicas giravam em torno de sua vida pessoal. Sua infância foi marcada pelas agressões que ele e seus irmãos recebiam do seu pai Joseph Jackson, mais tarde também passou por problemas com sua aparência, devido à puberdade e acidentes em ensaios.

Na vida adulta, mais problemas: em 1993 o cantor foi acusado de abusar de um menor de 13 anos e, apesar de se declarar inocente, pagou uma alta quantia em dinheiro para a família do adolescente, que retirou a acusação. Segundo o cantor, ele queria apenas terminar com aquele pesadelo e seguir sua carreira sem precisar manchá-la ainda mais com problemas.

Em 2003 foi acusado novamente pelo mesmo motivo, e, apesar de ter sido muito criticado pela mídia, que criava boatos constantemente, o cantor foi à julgamento, sendo inocentado da acusação. Apesar da absolvição, a imagem do cantor ficou ainda mais “manchada”.

Outras polêmicas cercavam sua vida, como o dia em que ele mostrou seu 3º filho pela janela aos fãs que gritavam em frente ao hotel, ou então das plásticas que mudaram completamente o seu rosto e ainda sobre a cor de sua pele, que segundo ele, ficou branca por causa da doença vitiligo e outras não comentadas. Com 50 anos e 3 filhos, em fevereiro de 2008 a SonyBMG lançou Thriller 25th Anniversary, o relançamento do álbum mais vendido da história da musica. Em uma nova versão com remixes inéditos e que já vendeu mais de 3 milhões de cópias pelo mundo.

Em março de 2009 anunciou a volta aos palcos, após quase uma década, para uma série de 50 shows em Londres chamada This Is It que iniciar-se-ia em julho do mesmo ano e que daria ao cantor a sua aposentadoria. Incrivelmente, todos os 1 milhão de ingressos disponíveis foram vendidos em algumas horas, um marco nunca ocorrido antes na história do showbiz. Um novo álbum de inéditas também era esperado, porém uma tragédia fatal ainda estaria por vir.

No dia 25 de Junho de 2009, poucos dias antes de iniciar a megaturnê “This Is It”, deu entrada no UCLA Medical Center em Los Angeles, depois de sofrer uma parada cardíaca. Após várias notícias desencontradas, por volta das 18:00 (Horário de Los Angeles) foi anunciada oficialmente a morte do Rei do Pop. Foi vítima de uma parada cardiorrespiratória em sua casa, na vizinhança de Holmby Hills, Los Angeles, CA, Estados Unidos. Os serviços de emergência médica socorreram o cantor em sua casa, na tentativa de reanimá-lo. Porém, como Jackson se encontrava em estado de coma profundo, ele foi levado às pressas para o hospital universitário da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Desde sua internação, rumores haviam se espalhado pela imprensa confirmando seu falecimento.

Às 2h e 06min de 25 de junho de 2009, o site Los Angeles Times tornou-se um dos primeiros a divulgar a morte do astro. Seu falecimento teve uma repercussão internacional instantânea, sendo motivo de preocupação por parte dos fãs em muitas partes do mundo. Defronte ao hospital da UCLA, muitos fãs do cantor cercaram o prédio à procura de informações sobre a suposta ‘morte’ de Michael. Porém, pouco tempo depois da internação, sua morte foi absolutamente confirmada pelo porta-voz do Instituto Médico Legal de Los Angeles, Fred Corral. Uma posterior análise por peritos e um exame toxicológico estarão sendo feitos no corpo do cantor para saber o horário e a razão de sua morte.

Após a sua morte, voltou a bater recordes nunca acontecidos antes, em menos de seis horas, seu nome apareceu no topo das buscas de agregadores de blogs de MP3 (como o Hype Machine), de redes sociais e de lojas online (como a Amazon e iTunes). Na Amazon, o rei do pop conseguiu mais um feito espetacular, mesmo depois de morto. Nada menos do que 18 discos entre os mais vendidos da loja eram ou do cantor ou de sua banda com seus irmãos, o The Jackson 5. Segundo notícia do Financial Times, nas 24 horas após a morte do Popstar a Amazon vendeu um numero de álbuns de Michael semelhante ao que tinha vendido nos últimos 11 anos. E a varejista de música HMV diz que os cds do cantor venderam 80 vezes mais. Além das vendas terem crescido repentinamente, os serviços e acessos na internet também sofreram impacto.

A notícia mexeu com a internet de forma que não bastasse ter derrubado os servidores do Twitter no breve intervalo entre o anúncio de que Michael estava sendo transportado para um hospital em uma ambulância e a confirmação de sua morte, a rede social tornou-se o principal canal para saber o que estava acontecendo com o cantor. Todos linkavam todos e logo que sua morte foi confirmada, dominou nove dos 10 tópicos de discussão do dia - na décima posição, a pantera Farrah Fawcett, que também morreu no mesmo dia. Foi o suficiente para que o Twitter não suportasse a quantidade de acessos. Não foi só o Twitter. Segundo Shawn White, diretor de operações da Keynote System, empresa que monitora o tráfego na web, “a velocidade média de download em sites de notícias dobrou de menos de quatro segundo para quase nove segundos”, disse em entrevista à BBC.

No dia 7 de julho de 2009 foi feito um memorial e funeral para o cantor nos Estados Unidos. Exibido nos canais de todo o mundo, foi uma das maiores audiências já vistas em todos os tempos. Além disso, é sinônimo de uma época em que o sucesso de um artista era medido em discos vendidos - uma era que metaforicamente morre junto com ele.

Michael Jackson deixou três filhos, uma legião de fãs órfãos e um patrimônio incalculável para a cultura pop mundial que se perpetuará para sempre.

Fontes: lastfm.com.br; Wikipédia; www.twitter.com.