O maracujá fica todo enrugado, quando está maduro, porque se desidrata. Ele perde água para o ambiente e vai murchando. Mas isso só acontece com os frutos colhidos. "No pé, o maracujá maduro é todo liso", afirma a engenheira agrônoma Laura Maria Molina Meletti, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).
Na verdade, o enrugamento é uma forma de proteger seu conteúdo. A casca do maracujá é grossa e rica em água, o que garante a conservação da parte interna por mais tempo. Quando o fruto é colhido, a casca perde líquido e fica mais fina para preservar o recheio.
Um detalhe importante: o enrugamento não significa que o maracujá esteja estragado ou com sabor ruim. "Ao contrário: com a perda de líquido, a polpa fica mais concentrada", diz Laura. O problema é quando as ruguinhas aparecem em frutos ainda verdes. Aí, sim, é sinal de infestação por percevejos ou moscas. Mas se isso ocorre, os maracujás não chegam à feira ou à prateleira do supermercado.
Embora a maioria das quase 500 espécies utilize esse mecanismo de defesa, existem alguns tipos que não enrugam. É o caso do maracujá-maçã (Passiflora maliformis), um pequeno fruto silvestre que permanece liso mesmo depois de colhido. A casca dura se mantém intacta porque seu recheio muito doce é uma saborosa sobremesa para os insetos. "Se a espécie perdesse água, os bichos certamente devorariam o fruto e as sementes", afirma Laura.
Fonte: Educação Adventista - Blog Prof Genivaldo.
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sábado, 25 de fevereiro de 2012
Madeira de lei
"Madeira de lei" é uma expressão que nasceu quando nosso país ainda era uma colônia de Portugal. "No início da exploração lusitana, esse termo foi criado para designar as madeiras que só podiam ser derrubadas se a Coroa portuguesa autorizasse - ou seja, o corte dependia da permissão por lei", afirma o biólogo João Batista Baitello, do Instituto Florestal de São Paulo.
Na época, a primeira árvore a ser classificada como madeira de lei foi o pau-brasil, numa tentativa de impedir que ela fosse contrabandeada por navios espanhóis, franceses e ingleses que aportavam na costa do país.
Mais adiante, madeiras como o jatobá e a peroba também foram incluídos nessa categoria. "Depois da independência, as regras da Coroa deixaram de ter validade, mas a expressão continuou a ser usada no dia-a-dia. Hoje, 'madeira de lei' indica madeiras duras, resistentes e de alto valor comercial", diz João Batista.
Com essa definição mais ampla, espécies como o ipê, o mogno, o cedro e o jacarandá passaram a integrar esse nobre time. Um dos segredos da durabilidade dessas árvores é que elas produzem em seu cerne substâncias químicas que protegem o tronco do ataque de fungos e insetos. Graças a essa proteção, uma espécie nobre pode sobreviver por centenas de anos e servir para diversas aplicações, da construção de casas ao desenvolvimento de instrumentos musicais, passando pela fabricação de móveis super-resistentes.
Entretanto, o desmatamento desenfreado fez com que boa parte das madeiras de lei praticamente sumisse das matas do país. Seu uso também ficou mais restrito - os móveis vendidos hoje como "padrão mogno", por exemplo, são na verdade feitos com madeiras bem menos resistentes, apenas revestidos por uma fina camada da espécie nobre.
Atualmente, a exploração é controlada: pela lei de crimes ambientais, o corte de madeira de lei sem a autorização do governo pode dar até dois anos de cadeia. O difícil é fazer cumprir a regra. Não é novidade que as madeiras nobres continuam rareando por conta da derrubada ilegal.
Fonte: Mundo Estranho
Na época, a primeira árvore a ser classificada como madeira de lei foi o pau-brasil, numa tentativa de impedir que ela fosse contrabandeada por navios espanhóis, franceses e ingleses que aportavam na costa do país.
Mais adiante, madeiras como o jatobá e a peroba também foram incluídos nessa categoria. "Depois da independência, as regras da Coroa deixaram de ter validade, mas a expressão continuou a ser usada no dia-a-dia. Hoje, 'madeira de lei' indica madeiras duras, resistentes e de alto valor comercial", diz João Batista.
Com essa definição mais ampla, espécies como o ipê, o mogno, o cedro e o jacarandá passaram a integrar esse nobre time. Um dos segredos da durabilidade dessas árvores é que elas produzem em seu cerne substâncias químicas que protegem o tronco do ataque de fungos e insetos. Graças a essa proteção, uma espécie nobre pode sobreviver por centenas de anos e servir para diversas aplicações, da construção de casas ao desenvolvimento de instrumentos musicais, passando pela fabricação de móveis super-resistentes.
Entretanto, o desmatamento desenfreado fez com que boa parte das madeiras de lei praticamente sumisse das matas do país. Seu uso também ficou mais restrito - os móveis vendidos hoje como "padrão mogno", por exemplo, são na verdade feitos com madeiras bem menos resistentes, apenas revestidos por uma fina camada da espécie nobre.
Atualmente, a exploração é controlada: pela lei de crimes ambientais, o corte de madeira de lei sem a autorização do governo pode dar até dois anos de cadeia. O difícil é fazer cumprir a regra. Não é novidade que as madeiras nobres continuam rareando por conta da derrubada ilegal.
Fonte: Mundo Estranho
Biscoito de polvilho
"Olha o Biscoito Globo, salgado ou doce!" Esse já faz parte da cultura carioca e sucesso nas praias há mais de 50 anos. Isso sem nenhuma propaganda e nenhuma mudança na embalagem desde seu lançamento em 1955. Isso sim é um verdadeiro caso de sucesso! O bonequinho da logomarca é inspirado no “o bonequinho viu”, símbolo da coluna de críticas de cinema do jornal O Globo. Tem receita mineira e sucesso carioca, mas foi criado numa padaria paulistana. Conheça o biscoito de polvilho.
Ele é feito basicamente de água, leite, óleo e polvilho. Assim que é levado ao forno, a água dos ingredientes começa a evaporar e os gases se expandem. É isso que faz a textura aerada do biscoito. No final do cozimento, perto dos 75 ºC, as paredes das células da massa formam uma crosta na parte exterior do biscoito e o impedem de continuar crescendo. Assim ele chega ao tamanho final, cheio de buracos.
A palavra vem do latim "pulvu", que deu origem ao português "pó" e "poeirento" (como o biscoito). Já a origem do quitute é muito menos conhecida. Ele é um prato tradicional mineiro. Não se sabe ao certo quem inventou a receita - apenas que é antiga. Segundo o historiador Câmara Cascudo, no século 18, as cozinheiras das fazendas de Minas Gerais já preparavam biscoitos de polvilho para servir aos senhores.
Sinônimo de biscoito de polvilho para os cariocas (e turistas), o Biscoito Globo nasceu em São Paulo. Com a separação dos pais, os irmãos Milton, Jaime e João Fernandes tiveram que trabalhar na padaria de um tio no Ipiranga. Foi lá que, em 1953, eles aprenderam a fazer o biscoito. Dois anos depois, ele desembarcou no Rio para participar de um evento católico. Como o produto bombou, eles nunca mais voltaram a São Paulo.
A fábrica do Globo funciona de domingo a domingo, das 6h às 20h. Cerca de 350 ambulantes fazem fila na porta para comprar os 150 mil biscoitos produzidos diariamente. São 10.714 biscoitos por hora. Nos dias de sol, são vendidos até 12 mil pacotes. Cada pacote, salgado ou doce, custa R$ 0,70 e o ambulante pode revendê-lo pelo valor que quiser.
O Biscoito Globo nunca fez propaganda, recusou ofertas de abrir franquias em outros estados, jamais mudou de embalagem e tem um único ponto de distribuição: a fábrica. Da mesma forma, nunca pensou em licenciar a marca, por isso, a embalagem já apareceu estampada em cangas, biquínis, bolsas, etc. A única inovação de design está nas cores: os pacotes vermelhos vendem biscoito doce e os verdes, salgado - herança de uma época em que os ambulantes eram analfabetos. (por André Bernardo)
Fontes: Rio em Fotos e Dicas; Superinteressante in: Cris Leite (Chef de cozinha, professora de Culinária Brasileira do Senac-Rio), Francisco Lourenço (gerente geral do Biscoito Globo), Jacira Conceição dos Santos (Associação Brasileira de Nutrição) e João Bosco de Carvalho (proprietário da Polvilho Orivaldo), Antônio Vitor Machado (professor de tecnologia dos alimentos da Universidade Federal de Campina Grande).
Ele é feito basicamente de água, leite, óleo e polvilho. Assim que é levado ao forno, a água dos ingredientes começa a evaporar e os gases se expandem. É isso que faz a textura aerada do biscoito. No final do cozimento, perto dos 75 ºC, as paredes das células da massa formam uma crosta na parte exterior do biscoito e o impedem de continuar crescendo. Assim ele chega ao tamanho final, cheio de buracos.
A palavra vem do latim "pulvu", que deu origem ao português "pó" e "poeirento" (como o biscoito). Já a origem do quitute é muito menos conhecida. Ele é um prato tradicional mineiro. Não se sabe ao certo quem inventou a receita - apenas que é antiga. Segundo o historiador Câmara Cascudo, no século 18, as cozinheiras das fazendas de Minas Gerais já preparavam biscoitos de polvilho para servir aos senhores.
Sinônimo de biscoito de polvilho para os cariocas (e turistas), o Biscoito Globo nasceu em São Paulo. Com a separação dos pais, os irmãos Milton, Jaime e João Fernandes tiveram que trabalhar na padaria de um tio no Ipiranga. Foi lá que, em 1953, eles aprenderam a fazer o biscoito. Dois anos depois, ele desembarcou no Rio para participar de um evento católico. Como o produto bombou, eles nunca mais voltaram a São Paulo.
A fábrica do Globo funciona de domingo a domingo, das 6h às 20h. Cerca de 350 ambulantes fazem fila na porta para comprar os 150 mil biscoitos produzidos diariamente. São 10.714 biscoitos por hora. Nos dias de sol, são vendidos até 12 mil pacotes. Cada pacote, salgado ou doce, custa R$ 0,70 e o ambulante pode revendê-lo pelo valor que quiser.
O Biscoito Globo nunca fez propaganda, recusou ofertas de abrir franquias em outros estados, jamais mudou de embalagem e tem um único ponto de distribuição: a fábrica. Da mesma forma, nunca pensou em licenciar a marca, por isso, a embalagem já apareceu estampada em cangas, biquínis, bolsas, etc. A única inovação de design está nas cores: os pacotes vermelhos vendem biscoito doce e os verdes, salgado - herança de uma época em que os ambulantes eram analfabetos. (por André Bernardo)
Fontes: Rio em Fotos e Dicas; Superinteressante in: Cris Leite (Chef de cozinha, professora de Culinária Brasileira do Senac-Rio), Francisco Lourenço (gerente geral do Biscoito Globo), Jacira Conceição dos Santos (Associação Brasileira de Nutrição) e João Bosco de Carvalho (proprietário da Polvilho Orivaldo), Antônio Vitor Machado (professor de tecnologia dos alimentos da Universidade Federal de Campina Grande).
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