quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Mausoléu de Halicarnasso

O mausoléu foi uma homenagem que a rainha Artemísia II, mandou construir, em 353 a.C., para o túmulo de seu irmão e esposo, o rei Mausolo. O rei Mausolo, era sátrapa da província de Cária, governou entre 377 e 353 a.C., e vivia em Halicarnasso na Turquia.

A palavra mausoléu surgiu por conta do rei Mausolo, que teve um reinado sem grandes percalços. Casou-se com a irmã, Artemísia, que o amava muito. Quando morreu, a tristeza dela foi tão grande que, segundo uma lenda, ordenou que as cinzas dele fossem misturadas à sua água e comida, para lamentar sua perda.

Para celebrar seu irmão e marido, Artemísia encomendou um grande mausoléu que abrigasse seus restos mortais. Selecionou o arquiteto Pítis para o projeto e contratou quatro escultores para embelezar a edificação (isso queria dizer um escultor para cada face do templo - Pítis esculpiria a estátua que decoraria o ápice do mausoléu). Os escultores selecionados foram Escopas, Briáxis, Leocarés e Timóteo.

Uma colina com vista para a cidade e a baía foi selecionada como local do mausoléu. Os trabalhos foram iniciados em 353 a.C. O mausoléu tinha 45 metros de altura, com uma base de 32 metros; incluía uma pirâmide de 24 degraus e sete metros de altura; e uma estátua encimando o conjunto, com altura de seis metros. O historiador Plínio, da era clássica, escreveu que o perímetro do mausoléu tinha 134 metros.

Escavações mais modernas levaram uma equipe dinamarquesa que trabalhou no local entre 1966 e 1977 a revelar que a construção provavelmente tinha 30 por 36 metros, com 36 colunas de sustentação.

A rainha jamais viu pronto o monumento a seu marido. Morreu apenas dois anos depois de Mausolo e foi sepultada com ele. No entanto, os trabalhos no mausoléu continuaram porque os artistas desejavam concluir seus projetos. Entre eles estavam a escultura de Mausolo e Artemísia em um carro puxado por quatro cavalos, obra de Pítis; frisos descrevendo a guerra entre os gregos e as amazonas; diversas corridas e guerras entre os lápitas (o povo da antiga Tessália) e os centauros (criaturas míticas, meio homens, meio cavalos); além de outras esculturas. Hoje, alguns restos dessas esculturas e frisos podem ser vistos no Museu Britânico.

No século 15, terremotos abalaram a fundação do mausoléu, que despencou lentamente. Por volta de 1494, os Cavaleiros de São João de Malta usaram os restos do tempo para reforçar seu castelo. Eles também queimaram colunas de mármore para criar argamassa.

Escavações no mausoléu localizaram coisas bastante interessantes. Em 1522, Charles Guichard localizou a câmara de sepultamento de Artemísia, que continua um sarcófago de alabastro - mas, misteriosamente, nenhum cadáver. A equipe dinamarquesa que escavou o local no fim dos anos 60 encontrou restos de ovos, pombas, carneiros e bois, provavelmente oferecidos ao rei e rainha como alimentos para depois da morte.

Fontes: History Channel; Princeton; HistoriaMais.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Belle de Jour

Catherine Deneuve in "Belle de Jour" [1967]

Eu lembro da moça bonita / Da praia de Boa Viagem / E a moça no meio da tarde / De um domingo azul / Azul, era Belle de Jour / Era a bela da tarde / Seus olhos azuis como a tarde / Na tarde de um domingo azul / La Belle de Jour!... (Alceu Valença)

Copa do Mundo 1934

A conquista da seleção dona da casa é usada como propaganda para o regime fascista. Ganhar a Copa do Mundo que sediaria era um ponto de honra para a Itália de Benito Mussolini. O fascismo avançava na Europa e a vitória dos italianos seria propaganda desse regime autoritário.

Para garantir o melhor time possível, Mussolini mudou leis para facilitar a naturalização de bons jogadores descendentes de italianos que nasceram em outros países. Pela primeira vez, o número de países inscritos (32) superou o número de vagas (16), obrigando o início do sistema de eliminatórias.

O Uruguai, campeão em 1930, boicotou o torneio em protesto à ausência da maioria das seleções européias na primeira Copa. O torneio adotou o sistema de eliminatória simples, do tipo "perdeu, cai fora". Nenhum país das Américas venceu na estréia. O maior adversário da Itália foi a Espanha, considerada por muitos o melhor time da Copa. Para vencê-lo, a Itália jogou 210 minutos: 1 a 1 na primeira partida (com prorrogação) e 1 a 0 no jogo-desempate. Na final, com o time cansado, a Itália venceu a Tchecoslováquia por um minguado 2 a 1.


Seleção brasileira decepciona

Outra briga, desta vez entre profissionais e amadores, enfraqueceu o Brasil para a Copa da Itália. A CBD, amadora, teve dificuldade para montar uma boa seleção, pois surgira uma nova entidade – a Federação Brasileira de Futebol, profissional. A maioria dos bons jogadores brasileiros atuava em clubes profissionais, filiados à FBF. Não houve acordo para uma trégua durante a Copa. A solução foi negociar diretamente com os jogadores. A CBD aliciou Leônidas (Vasco), Luizinho e Waldemar de Brito (São Paulo), entre outros. Os clubes profissionais eram contra: o Palestra Itália (hoje Palmeiras) escondeu seus jogadores em uma fazenda.

Espanha 3 x 1 Brasil, a defesa da Espanha desceu a bota nos brasileiros: quatro contra um.
A campanha foi curta. O Brasil foi eliminado na estréia, em Gênova, pela forte seleção espanhola: 3 a 1. Com 30 minutos de jogo, os espanhóis já venciam por 3 a 0, dois gols de Langara e um de Irarogorri, de pênalti. No segundo tempo, o Brasil melhorou. Leônidas pegou um rebote do goleiro Zamora e descontou aos 7 min. Oito minutos depois, Luizinho teve um gol anulado pelo juiz alemão Birlem, por impedimento. Aos 25 min, Waldemar de Brito desperdiçou um pênalti, defendido pelo grande Zamora. Waldemar se redimiria muito mais tarde: foi ele quem descobriu o talento de Pelé.

Na Copa de 1934, a estréia do Brasil foi também a despedida: Espanha 3 x 1

Curiosidades

Lenço na cabeça - O atacante italiano Luigi Bertolini, melhor cabeceador da Europa, disputou a Copa com seu tradicional lenço branco amarrado na cabeça. As bolas tinham costuras externas grosseiras que machucavam a testa do jogador.

Brasileiro campeão - Anfilogino Guarisi, o Filó, brasileiro que jogou no ataque do Corinthians, foi um dos italianos naturalizados no time campeão.

Comentário - "Ides para um país que se renova moral e materialmente. O italiano, que se sentia deprimido antes do advento do fascismo, sente-se agora orgulhoso de sua própria raça. É esse o exemplo que deve guiar os esportistas brasileiros". De Getúlio Vargas, então presidente, à delegação que seguia para a Itália.

Informações gerais

Participantes - 16
Anfitrião - Itália
Período - 27 de Maio – 10 de Junho
Gols - 70 (média de 4,1)
Campeão - Itália
Vice-campeão - Tchecoslováquia
Artilheiro - Oldřich Nejedlý (Tchecoslováquia), 5 gols
Maior goleada - Itália 7 – 1 Estados Unidos - Stadio Nazionale PNF, Roma, 27/5
Público - 358.000 (média de 21.058)

Classificação: 1º - Itália / 2º - Tchecoslováquia / 3º - Alemanha / 4º - Áustria

A Seleção Italiana posando antes da final. Em pé, da esquerda para a direita, estão Combi, Monti, Ferraris IV, Allemandi, Guaita e Ferrari; agachados, Schiavio, Meazza, Monzeglio, Bertolini e Orsi
A campanha do campeão:

Oitavas-de-final
27/5 Itália 7 x 1 Estados Unidos
Quartas-de-final
31/5 Itália 1 x 1 Espanha
31/5 Itália 1 x 0 Espanha
Semifinal
3/6  Itália 1 x 0 Áustria
Final
10/6 Itália 2 x 1 Tchecoslováquia

Fonte: http://www.cassio.com.br/bolabrasil/copa1934.html