sábado, 23 de novembro de 2013

Cientistas tentarão clonar pela 2ª vez animal extinto

Corpo empalhado de Celia na entrada do Parque Nacional de Ordesa - Foto: BBCBrasil.com

Grupo espanhol de cientistas tentará clonar um bucardo, tipo de cabra da montanha (Capra pyrenaica pyrenaica), espécie considerada extinta desde 2000. 0 grupo conseguiu financiamento para verificar se o animal extinto pode ser clonado a partir de células preservadas. O último bucardo morreu em 2000, mas células do animal foram congeladas em nitrogênio líquido.

Em 2003, um filhote da espécie chegou a ser gerado a partir de clonagem, mas morreu minutos após o nascimento. Esse foi o primeiro caso de "desextinção", no qual uma espécie ou subespécie perdida foi ressuscitada. Agora, os cientistas querem testar a viabilidade de usar novamente as células preservadas da última fêmea de bucardo após 14 anos para mais uma tentativa de desextinção.

Segundo os pesquisadores do Centro para Pesquisas e Tecnologia Alimentar de Aragón, em Zaragoza, o primeiro passo agora é verificar se as células da última fêmea, batizada de Celia, ainda estão vivas após 14 anos de congelamento. A partir daí, eles poderiam tentar clonar embriões e implantá-los em cabras de outras subespécies.

"Nesse processo, um ou mais clones fêmeas de bucardo podem ser obtidos. Se esse for o caso, a viabilidade de um plano para a recuperação do bucardo poderá ser discutido", disse à BBC Alberto Fernandez-Arias, um dos coordenadores da pesquisa.

Células preservadas

O bucardo é uma subespécie com características físicas e genéticas distintas às de outras cabras montanhosas que habitam a Península Ibérica. Ela estava perfeitamente adaptada à vida em seu habitat e era capaz de sobreviver ao frio extremo e à neve do inverno nos Pirineus.

Porém sua população vinha declinando por anos por várias razões, incluindo a caça. Em abril de 1999, pesquisadores capturaram o último animal, Celia. Eles realizaram biópsias da pele e congelaram o tecido em nitrogênio líquido, à temperatura de -196ºC.

No ano seguinte, Celia foi morta por uma árvore que caiu no Parque Nacional de Ordesa, no noroeste da Espanha.

Mas os pesquisadores conseguiram injetar o núcleo das células preservadas de Celia em óvulos de cabras cujos DNAs haviam sido retirados.

Eles então implantaram os óvulos em outras fêmeas, híbridas entre cabras montanhosas ibéricas e cabras domésticas. De 57 óvulos implantados, sete geraram gestações, das quais apenas uma foi até o final.

O filhote de bucardo nasceu em 2003 - a primeira desextinção da história. Mas o clone de Celia morreu poucos minutos depois, por causa de um defeito em um dos pulmões.

Mesmo se o novo esforço conseguir produzir clones saudáveis, um eventual plano futuro para recuperar o bucardo enfrentaria inúmeras dificuldades, especialmente pelo fato de que as únicas células preservadas são de uma única fêmea.

Uma possível saída para trazer os bucardos de volta à vida seria cruzar uma clone fêmea saudável com uma subespécie próxima, para então promover cruzamentos seletivos entre os descendentes para fortalecer os traços típicos do bucardo.

Outras possibilidades também poderiam ser exploradas. Por exemplo, pesquisadores já foram capazes de reverter o sexo de embriões de camundongos fêmeas ao introduzir um gene específico que os fez se desenvolver como machos. Com isso, poderiam gerar clones de diferentes sexos, permitindo a reprodução natural posterior.


Fonte: G1.

Espuma fervilhante de champanhe

Todos nós temos na vida / Um caso... / Uma loura... /  Você, você também tem. / Uma loura é um frasco de perfume / Que evapora... / É o aroma.../ De uma pétala de flor.  / Espuma fervilhante de champanhe / Numa taça muito branca de cristal / É um sonho... / Um poema... (Uma loura - samba-canção, 1951 - Hervé Cordovil - Intérprete: Dick Farney)












sexta-feira, 22 de novembro de 2013

De como Mirinho quebrou o galho

O abominável primo Altamirando tinha um encontro marcado com uma pioneira social aí, dessas que prevaricam com certa regularidade. O ignóbil parente conhecera a distinta dama do nosso “society” noutro dia, quando o marido estava em São Paulo, fazendo um negócio imobiliário. Com aquela conversa que lhe é peculiar, Mirinho trouxe a dama para o seu plantel e vinha vivendo um romance legalzinho com ela.

Toda noite faziam programa juntos. Ora era uma dançadinha num dos inferninhos da Zona Sul, ora era um jantar mais caprichado nesses botecos de nome francês, ora era um discreto cineminha. Depois Mirinho ia com ela pra casa dela, que a dama reside só com seu distraído marido que, além de distraído, estava em São Paulo.

Não é pra me gambá não — como diz Ibrahim — mas o primo estava levando um vidão; não somente porque a dona é boa às pampas, como também vinha financiando os programas. Ora: mulher sem despesa é o ideal de Mirinho Durante esses dias aí da crise, ele passou numa tranquilidade invejável.

Mas, eis que, ontem, o marido voltou. Mirinho telefonou na hora do almoço, para ver se pegava a gordura de graça, mas a dona falou baixinho ao telefone, com ar de conspiradora:

— Depois eu te falo, bem. Ele voltou — e desligou o aparelho.

A tarde, Mirinho tornou a ligar:

— Escuta, queridinha, eu te apanho aí às 7 e vamos jantar juntinhos, tá?

— Mas querido — ponderou ela — Eu não posso. Meu marido voltou.

— Ali isto não tem importância — garantiu o primo. — Ele vai dormir fora de casa.

A mulher deve ter arregalado os olhos do lado de lá da linha, porque perguntou, visivelmente intrigada:

— Como é que você sabe que ele vai dormir fora de casa?

— Nada não. É que eu telefonei para um cara meu cumpincha, que trabalha na Polícia, e disse pra ele que teu marido é comunista.


Fonte: Jornal "Última Hora", de 10/04/1964 — Coluna de Stanislaw Ponte Preta / Desenho: Jaguar.