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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Paschoal Carlos Magno

Paschoal Carlos Magno (Rio de Janeiro RJ 13/01/1906 - idem 24/05/1980), teatrólogo, revistógrafo, crítico e compositor, foi uma personalidade fundamental na dinamização e renovação da cena brasileira. Fundou o Teatro do Estudante do Brasil e o Teatro Duse.

Em 1926, faz uma experiência como galã em Abat-Jour, de Renato Viana. Em 1928, tem uma fugaz participação, como ator, no Teatro de Brinquedo, de Álvaro Moreyra; e escreve críticas para O Jornal. Em 1929, lidera ampla campanha de coleta de recursos para fundar a Casa do Estudante do Brasil. 

Em 1930 sua canção Pierrot recebe a melodia do compositor Joubert de Carvalho, para a abertura de sua peça Pierrot, prestes a estrear no Rio de Janeiro pela companhia de Jaime Costa, da qual Paschoal assume a direção artística. Além de romântica, a canção deveria explorar o timbre agudo de Jorge Fernandes, o cantor escolhido para interpretá-la. No mesmo ano, recebe da Academia Brasileira de Letras, ABL, um prêmio por esta peça.

Em 1937, funda o Teatro do Estudante do Brasil, TEB, inspirado nos teatros universitários europeus, com uma função pedagógica, de formação teatral, e outra artística, de introduzir no nosso teatro a função do diretor teatral, cargo para o qual convoca a atriz Itália Fausta, que assina o primeiro espetáculo do grupo, Romeu e Julieta, de William Shakespeare, em 1938.

Em 1946, Paschoal tem representada em Londres, com boas críticas, a sua peça Tomorow Will Be Different, montada em vários outros países europeus, e também no Brasil. No mesmo ano, assume a coluna de crítica do jornal Democracia e, no ano seguinte, a do Correio da Manhã, que assina até 1961, através da qual exerce forte influência sobre o panorama teatral. 

Em 1948, sob sua orientação geral, e com direção do alemão Hoffmann Harnisch, o TEB monta Hamlet, de William Shakespeare, que alcança enorme sucesso e prestígio, sobretudo por revelar, no papel-título, o singular talento do jovem Sérgio Cardoso, então com 22 anos, a quem Paschoal define, na sua coluna, como sendo desde já o maior ator do Brasil. Sob a repercussão desse êxito, e das viagens de Paschoal pelo Brasil afora, teatros de estudantes começam a ser criados em várias cidades. 

Em 1949, Paschoal preside o lançamento pelo TEB, de um Festival Shakespeare, no Rio de Janeiro, com Romeu e Julieta, Macbeth e Sonho de Uma Noite de Verão; e cria, junto com a cantora Alda Pereira Pinto, o Teatro Experimental de Ópera.

Em 1952, Paschoal leva o TEB para extensa turnê pelo norte, com peças de Sófocles, Eurípides, William Shakespeare, Gil Vicente, Henrik Ibsen, Martins Pena. No mesmo ano, dá início a uma outra iniciativa importante: o Teatro Duse, uma sala de aproximadamente 100 lugares e um palco mínimo, instalada no casarão de Paschoal, em Santa Tereza. Inaugurado em 1952, com João Sem Terra, de Hermilo Borba Filho, o Duse funciona, com ingresso gratuito, até 1956, revelando, entre outros, Aristóteles Soares, Francisco Pereira da Silva, Leo Vitor, Antônio Callado, Rachel de Queiroz, Paulo Moreira da Fonseca, Maria Inês Barros de Almeida, e conquistando um lugar de prestígio no panorama cultural do Rio de Janeiro. 

Nomeado responsável pelo setor cultural e universitário da Presidência da República por Juscelino Kubitschek, desloca-se permanentemente pelo país afora, garimpando jovens talentos e lutando pela criação ou dinamização de espaços onde eles possam dar vazão à sua ânsia de aprender e criar. Em 1958, organiza em Recife o primeiro Festival Nacional de Teatros de Estudantes, reunindo mais de 800 jovens e dando início a uma tradição que prosseguirá até o sexto festival.

Nomeado, em 1962, secretário geral do Conselho Nacional de Cultura, realiza a Caravana da Cultura, reunindo 256 jovens artistas que percorrem os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Alagoas, apresentando espetáculos de teatro, dança e música e realizando exposições de artes plásticas e distribuição de livros e discos. Uma iniciativa semelhante, a Barca de Cultura, que desce pelo Rio São Francisco de Pirapora a Juazeiro, é promovida por Paschoal já na década de 70. 

O golpe de 1964 o afasta dos centros do poder e prejudica a sua carreira diplomática. Sua última grande realização inicia-se em 1965, quando ele inaugura, no interior do Estado do Rio de Janeiro, a Aldeia de Arcozelo, da qual pretende fazer um local de repouso para artistas e intelectuais e um centro de treinamento para as diferentes áreas das artes. 

Mas a volumosa obra consome o resto da sua fortuna e o obriga a vender o seu casarão de Santa Tereza para pagar as dívidas. Ainda assim, o dinheiro revela-se insuficiente, e Paschoal ameaça publicamente tocar fogo na fazenda. Alguns auxílios, oficiais ou privados, chegam a ser liberados; mas até hoje a Aldeia de Arcozelo encontra-se fechada sob o domínio da Fundação Nacional de Artes Cênicas.

Fontes: Enciclopédia Itaú Cultural; A Canção no Tempo – Vol. 1 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34.

sábado, 24 de setembro de 2011

Mário Lago

Mário Lago, compositor, ator, poeta, escritor e radialista, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 26/11/1911 e faleceu em 31/5/2002. Filho único do maestro Antônio Lago, foi aluno do Colégio Pedro II de 1923 a 1926, ano em que publicou seu primeiro poema, Revelação, na revista Fon-Fon.

Concluiu o ginasial no Curso Superior de Preparatórios e bacharelou-se em direito em 1933, exercendo a advocacia apenas por três meses. Nesse mesmo ano começou a escrever revistas para teatro - Figa de Guiné e Grande estréia, ambas com Álvaro Pinto.

Como letrista, estreou, em 1935, com Menina, eu sei de uma coisa (com Custódio Mesquita), marcha gravada por Mário Reis, no ano seguinte. Com o mesmo parceiro fez o fox-canção Nada além, sucesso nacional, em 1938, na voz de Orlando Silva, e uma série de músicas compostas especialmente para revistas encenadas pela Companhia Casa de Caboclo e pela Companhia Tró-ló-ló.

De 1938 a 1940, trabalhou como funcionário público, chegando a chefe de seção de estatísticas sociais e culturais do Departamento de Estatística do Estado do Rio de Janeiro; foi nomeado membro do conselho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mas não tomou posse.

Lançou-se como compositor com a valsa Devolve, gravada por Carlos Galhardo em 1940, ano em que apresentou também, em gravação da dupla Joel e Gaúcho, uma de sua mais famosas composições, Aurora (com Roberto Roberti), sucesso no Carnaval do ano seguinte e que obteve mais tarde repercussão internacional, graças à interpretação de Carmen Miranda, que a incorporou ao seu repertório básico.

Em 1942 estreou como artista de teatro na peça O sábio, encenada pela Companhia Joraci Camargo. Compôs com Ataulfo Alves sambas famosos, como Ai, que saudades da Amélia (1942) e Atire a primeira pedra (1944). Começou a trabalhar em rádio, em 1944, na Pan-Americana, de São Paulo SP, passando desde então por diversas emissoras cariocas e paulistas: Nacional, do Rio de Janeiro (de 1945 a 1948), Mayrink Veiga (1948), Bandeirantes, de São Paulo (1949), e novamente Nacional (1950).

Em 1953 compôs com Chocolate outro grande sucesso, É tão gostoso, seu moço, gravado por Nora Ney. Foi responsável pela produção de vários programas e novelas, como Lendas do Mundo, Romance Kolynos e a novela Presídio de mulheres, irradiada durante cinco anos. Em 1951 produziu na Rádio Nacional o programa Doutor Infezulino e mais tarde criou a figura do "Jacó de uma palavra só", no programa Largo da Harmonia, que se tornou bastante conhecido.

Estreou na televisão no programa Câmera Um, na TV-Rio, em 1954. Como ator, em 1966 foi contratado peia TV Globo, na qual trabalhou em várias novelas, como Cuca legal, Pecado capital, O casarão e Brilhante, numa carreira de mais de 30 anos. Publicou, em 1975, pela Editora Civilização Brasileira, uma obra de pesquisa folclórica intitulada Chico Nunes das Alagoas. Além de Orlando Silva e Carlos Galhardo, teve suas músicas gravadas por Francisco Alves, Ataulfo Alves, Nora Ney, Jorge Goulart e Deo.

Publicou os livros: Na rolança do tempo (1976) e no ano seguinte a seqüência, Bagaço de beira-estrada, ambos pela Editora Civilização Brasileira, Coleção Tempo e Contratempo, Rio de Janeiro; e Meia porção de sarapatel (1986), Editora Rebento. Em 1991, seus familiares publicaram o livro Segredos de família, homenagem aos seus 80 anos de idade.

Em 1997 foi publicada sua biografia: Mário Lago - Boêmia e política, de autoria de Mônica Veloso, Editora Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro. No mesmo no, Gilberto Gil homenageou-o com o lançamento da música O mar e o lago (letra de 1985). Houve ainda a estréia do espetáculo Causos e canções de Mário Lago, no Teatro Café Pequeno, no Rio de Janeiro, dirigido por Mário Lago Filho.

Mário foi contratado e atuou por mais de 30 anos na Globo - em mais de 30 telenovelas -, e recebeu várias vezes o prêmio de Melhor Ator. Também foi ator de cinema, em mais de 20 filmes. Representou no teatro até o fim da sua longa vida - subiu pela última vez no palco em janeiro de 2002. Nunca deixou de compor - somou cerca de 200 músicas gravadas -, nem saiu do Partido Comunista.

Em sua última entrevista ao Jornal do Brasil, declarou: "Vivi. Essa é a coisa principal que fiz".

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira.

domingo, 18 de setembro de 2011

Leopoldo Fróes

Leopoldo Fróes (Leopoldo Constantino Fróes da Cruz), ator, compositor e teatrólogo, nasceu em Niterói-RJ, em 30/09/1882, e faleceu em Davos, Suíça, em 02/03/1932. Formado em Direito, nunca exerceu a profissão, estreando como ator, em Portugal, na peça O rei maldito, de Marcelino Mesquita. 

Retornando ao Brasil em 1908, deu início a uma longa atividade teatral como ator (em que obteve grande êxito), produtor e líder de classe.

Escreveu duas peças para o teatro musicado, Outro amor e A mimosa, de onde saiu sua famosa canção de mesmo nome, que ele próprio gravou em disco Odeon (da Casa Edison), em 1921, sua única atuação como cantor. Além disso, compôs o lundu Samba fidalgo, o one-step Aime l'amour, o choro Samba choroso (com J. F. Machado) entre outros.

Atuou também como ator cinematográfico no filme Perdida, em 1916, sob a direção de Luís de Barros, e Minha noite de núpcias, filme português produzido pela Paramount em Paris, França, em 1931, com Beatriz Costa e Estevan Amarante.

O cantor

Mimosa (canção, 1921) - Leopoldo Fróes

Mimosa !
Tão delicada e melindrosa...
Mimosa !...Mimosa!
Mimosa!
Deus que te fez assim formosa
Tens o perfume de uma rosa
Mimosa! ... Mimosa!

Quando tu passas pela estrada
Ou pela fresca madrugada
Ou pela noite enluarada
minha alma fica magoada
E o meu amor te apoteosa
Maldosa!... Mimosa!




Curiosidades

- Sempre quis dedicar-se ao teatro. Mas a família não permitia.

- Formou-se em Direito e seu pai conseguiu-lhe um cargo diplomático.

- Foi trabalhar em Paris, mas não era visto jamais na Embaixada.

- Depois, em Portugal, iniciou a carreira artística.

- Voltou ao Brasil e, em 1915, foi contratado pela Cia. de Dias Braga. Formou sua primeira empresa com a atriz Lucília Péres, de quem se separaria dois anos depois.

- Com o lançamento da comédia de Cláudio de Sousa "Flores da Sombra" (1917), Fróes possibilitou a eclosão da saga de comédia de costumes de cunho nacionalista que marcou os anos do pós-guerra.

- A partir dessa época e até meados dos anos 20, firmou-se como o mais importante ator e empresário brasileiro. Mas, contrário à instituição da SBAT, recusava-se a encenar peças de autores filiados a essa Sociedade. Foi por isso que brigou com Renato Vianna, quando este filiou-se à SBAT, estando levando com extraordinário sucesso a peça "Gigolô" (1924). Foi impedido pelo autor (com a ajuda da polícia) de continuar apresentando a obra.

- O extraordinário talento de Leopoldo Fróes servia-lhe para improvisações. Pouco ensaiava os textos e raramente os estudava. Isso ocasionou prematuro declínio em sua carreira, quando seu trabalho começou a ser comparado ao de jovens atores como Procópio Ferreira ou Jayme Costa, ficando em desfavor.

- Sentindo-se abandonado pela platéia, voltou a Portugal e trabalhou com algumas companhias.

- Estava já doente, no inverno, e fazia papel em um filme, em Paris. O esforço físico e o rigor das baixas temperaturas minaram-lhe as últimas forças. Internou-se em um sanatório na Suíça, onde veio a falecer em 1932.

- O documentário em curta-metragem A Companhia Leopoldo Fróes consta como "Filme desaparecido" na Cinemateca Brasileira

- Imprensa Animada V.2 N.029 (1942) é um filme em homenagem a ele e Apolônia Pinto, "Um reconhecimento do Governo Brasileiro aos seus filhos ilustres".

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha; Instituto Moreira Salles; Meu cinema brasileiro - Leopoldo Froes.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Grande Otelo

Grande Otelo, ator, humorista e cantor mineiro, é o principal ator negro de expressão internacional do país. Sebastião Bernardo da Costa (18/10/1915 - 26/11/1993), que tem o nome trocado para Sebastião Bernardes de Souza Prata, nasce em Uberlândia e desde criança gosta de circo.

Aos oito anos, é adotado pela atriz Iara Isabel Gonçalves, mãe de Abigail Parecis, jovem estrela de uma companhia mambembe, e muda-se com a nova família para o Rio de Janeiro. Aos 12, canta e interpreta Pastorelo, na ópera Tosca, no Teatro Municipal do Rio.

Foge de casa quando mãe e irmã adotivas viajam para a Itália. Passa algum tempo como menino de rua em São Paulo. É adotado pela segunda vez, por Maria Eugênia de Queirós, e começa a estudar.

Foge de novo, depois de vender um livro raro do pai adotivo para comprar um ioiô. Arranja outro tutor, Miguel Max, mas foge pela terceira vez, ansioso por voltar a morar no Rio de Janeiro.

Em 1935 é acolhido pela Companhia de Arte Jardel Jercolis, que o apresenta como "The Great Othelo", um deboche que junta o fato de ser negro, como o personagem de Shakespeare, a sua pouca estatura. Surge, então, seu nome artístico definitivo.

No mesmo ano estréia no cinema, no filme Noite Carioca, da Cinédia. Atua em mais de 140 produções, passando pelas chanchadas da Atlântida, em que forma com Oscarito a dupla mais famosa da comédia brasileira.

De 1938 a 1946 trabalha no Cassino da Urca, casa de espetáculos que marcou época no Rio de Janeiro. Torna-se uma estrela e recebe elogios de personalidades internacionais, como Josephine Baker e Sammy Davis Junior.

É convidado por Walt Disney a emprestar sua voz ao personagem de quadrinhos Zé Carioca, mas o contrato que tem com o cassino o impede. No teatro, suas peças de maior destaque de que participa são Sancho Pança e O Homem de La Mancha, em que contracena com Bibi Ferreira e Paulo Autran.

Atua em novelas, com destaque para Sinhá Moça e Uma Rosa com Amor, e tem seu último papel na TV em Renascer. Pouco depois de lançar o livro de poesias Bom Dia, Manhã, morre em Paris ao sofrer um infarto.

Principais filmes que participou

Noites Cariocas (1935), Onde estás, felicidade (1939), It’s all true (1942), Romance proibido (1944), Tristezas não pagam dívidas (1944), Segura esta mulher (1946), Este mundo é um pandeiro (1947), Carnaval no fogo (1949), Não é nada disso (1950), Aviso aos navegantes (1950), Carnaval Atlântida (1952), Amei um bicheiro (1953), Dupla do barulho (1953), Matar ou correr (1954), Malandros em quarta dimensão (1954), Rio Zona Norte (1957), De pernas pro ar (1957), Entrei de gaiato (1960), O dono da bola (1961), Assalto ao trem pagador (1962), Samba (1966), Macunaíma (1969), Se meu dólar falasse (1970), A estrela sobre (1974), A noiva da cidade (1978), Asa branca (1980), Brasa adormecida (1986), Tudo é Brasil (1997).

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Geysa Bôscoli

Geysa, Solange França e Marlene
Geysa Bôscoli (Geysa Gonzaga de Bôscoli), teatrólogo, escritor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro-RJ, em 25/1/1907, e faleceu na cidade de Caxambu, MG, em 7/11/1978. Sobrinho da compositora Chiquinha Gonzaga, estudou no Colégio Alfredo Gomas e no Ateneu Boscoli, formando-se pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1927.

Ainda estudante, foi revisor do Jornal do Comércio e repórter do antigo O Imparcial, estreando como autor teatral em abril de 1927, no velho Teatro Lírico, do Rio de Janeiro, com a revista em dois atos Pó-de-arroz, representada pela Companhia Trô-ló-ló.

A partir dessa época, escreveu várias outras revistas, sainetes e operetas, para diversas companhias. Fundou as revistas Ouro Verde e Show, os semanários A Comarca e Correio de Blumenau, da Santa Catarina, além de participar de vários órgãos da imprensa carioca. 

Em 1945 inaugurou o Teatro Regina, hoje denominado Dulcina, com a comédia O grande barqueiro. Em 1940 Orlando Silva gravou na Victor seu fox-blue Naná, enquanto Francisco Alves gravava na Columbia o fox Céu e mar (ambas com Custódio Mesquita e Jardel Jércolis). 

Pioneiro, levou o teatro musicado aos bairros em caráter permanente, lançando em 1948, em Copacabana, o Teatrinho Jardel, que foi o primeiro teatro de bolso, explorando musicais. Recebeu, pela sua atuação nesse teatro de 1950 a 1952, dois diplomas e duas medalhas de ouro, que o consagraram como o Melhor Produtor de Teatro Musicado. 

Foi presidente da SBAT durante seis anos consecutivos, recebendo os títulos de conselheiro benemérito da Casa dos Autores, e escreveu as duas primeiras revistas radiofônicas—consideradas como padrão para espetáculos radiofônicos — Adão e Eva e Carioca da gema, esta de parceria com Jorge Murad, ambas transmitidas pela Rádio Nacional. 

Escreveu o livro A pioneira Chiquinha Gonzaga, edição particular. Entre suas produções para o teatro musicado figuram: O gato de botas, levada no Teatro Municipal; A barca da Cantareira e O que eu quero é rosetá (ambas com Luiz Peixoto), Canta, Brasil (com Paulo Orlando e Luís Peixoto), além de É de colher e Bota o retrato do velho

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFOLHA.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Furtado Coelho

Furtado Coelho - 1883
Furtado Coelho (Luís Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado Coelho), compositor, teatrólogo, empresário, ator e poeta, nasceu em Lisboa, Portugal, em 28/12/1831, e faleceu em 13/2/1900.

Veio para o Brasil em 1856, estreando como ator em Porto Alegre RS no ano seguinte. Contratado pelo Teatro Ginásio Dramático, fixou-se no Rio de Janeiro RJ em 1858, excursionando ainda por várias cidades do país.

Como compositor, introduziu nos saraus familiares e nas tertúlias literárias a moda do recitativo, poema declamado com fundo musical composto especialmente para a ocasião.

Em 1860, fez a música da encenação brasileira do drama Dalila, de Octave Feuillet (1821—1890) — composição que alcançou imenso sucesso em todo o Brasil, tornando-se obrigatória nas serenatas familiares da segunda metade do séc. XIX e início do XX.

Em 1861, com letra da atriz Eugênia Câmara, compôs a Grande marcha acadêmica, dedicada aos estudantes de direito de São Paulo SP.

Autor de inúmeras obras teatrais, algumas musicadas, exibia-se nos intervalos das peças, executando o copofone, instrumento de sua invenção, e, ao piano, valsas e polcas de sua autoria, muitas delas editadas pela Casa de Música Narciso & Artur Napoleão.

Promoveu ainda a construção dos teatros São Luís, em 1870, e Lucinda, em 1880, no Rio de Janeiro.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha - 2a. Edição - 1998.

domingo, 11 de setembro de 2011

O palhaço Dudu

Eduardo Sebastião das Neves (Dudu), palhaço de circo, poeta e principalmente cantor, foi o nosso artista negro mais popular do começo do século XX. Nasceu em 1874 no Rio de Janeiro e morreu na mesma cidade em 11 de novembro de 1919. Foi pai do famoso cantor e compositor Cândido das Neves (Índio).

Aos 21 anos foi guarda-freios da Estrada de Ferro Central do Brasil. Demitido passou a ser soldado do Corpo de Bombeiros, de onde também foi expulso por freqüentar fardado rodas boêmias.

Em 1895 tornou-se palhaço e cantor, apresentando-se em circos e pavilhões. Nesta profissão percorreu vários estados brasileiros.

A partir de 1906, igualmente a Bahiano, Mário Pinheiro, Cadete e Nozinho era cantor contratado da Casa Edison. Seu extenso repertório versava entre cançonetas, chulas, canções, lundus e modinhas.

Foi Eduardo das Neves quem aproveitou a canção napolitana Vieni sul mare e fez a adaptação para glorificar a chegada do encouraçado Minas Gerais, que se juntaria à esquadra brasileira. Mais tarde, adulterada pelo povo, passou a celebrar tão somente o estado brasileiro e não mais ao navio. 

Entre seus sucessos estão: A conquista do ar (Santos Dumont), de 1902. Ficou conhecido também como Palhaço Negro, Diamante Negro, Dudu das Neves e Crioulo Dudu.

Fonte: Cifrantiga - História da MPB e Cifras; Enciclopédia da Música Brasileira - Editora Art PubliFolha.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Cardoso de Menezes

Cardoso de Menezes (Frederico Cardoso de Menezes e Souza), compositor e revistógrafo, nasceu no Rio de Janeiro em 31 de março de 1878, em uma casa na rua Bento Lisboa no bairro do Catete.

Filho de Antônio Frederico Cardoso de Menezes e Souza e Judith Ribas Cardoso de Menezes e Souza, foi criado no meio de intelectuais e artistas famosos da época, que se reuniam na casa de seus pais.

O pai foi músico, escritor, poeta e teatrólogo bastante popular no período entre 1875 e 1910; a mãe era também musicista, tendo sido colaboradora de Arthur Napoleão, famoso editor de partituras musicais. Seu avô paterno foi João Cardoso de Menezes e Souza, o Barão de Paranapiacaba (1827-1915), homem de grande erudição, autor de várias obras e traduções e que gozava de prestígio e influência junto a D. Pedro II.

Em 1900, Cardoso de Menezes casou-se com Amélia Juventina Ferreira, com quem teve quatro filhos; nenhum seguiu a carreira artística. Desde de 1895 foi funcionário público, passando pela Alfândega e se aposentando no Tesouro Nacional.

Cardoso de Menezes não quis se dividir entre música e teatro, como seu pai e, resolvendo se dedicar exclusivamente ao teatro, e especificamente ao teatro da Praça Tiradentes, pode conciliar as duas artes, trabalhando nos gêneros ligeiros musicados.

Assim nos relata Brício de Abreu: contou-me ele que, certa vez, ainda no curso preparatório, com 14 anos [1892] escreveu uma “mágica”. Em vez de estudar, estava escrevendo quando o pai [...] perguntou-lhe o que fazia [...] “Estou escrevendo uma “mágica”[...], o velho Cardoso de Menezes respondeu sorrindo para o filho : “Duvido que seja boa, e só irá à cena quando as galinhas tiverem dentes!”[...] Em 1905, [para] a sua primeira peça representada, “Comes e Bebes”, mandou convidar o pai, com um cartão onde dizia: “As galinhas criaram dentes, venha ver!” E desde então o pai se orgulhou do filho.(Abreu, 1963:248)

Antes de Comes e bebes Cardoso de Menezes havia escrito, em 1904, aos 26 anos, uma revista para ser encenada pelo grupo amador Clube Dramático de Ouro, de São Cristovão: São Cristovão por um óculo. Foi na ocasião desta apresentação que Cardoso de Menezes conheceu Chiquinha Gonzaga e Alvarenga Fonseca, que o incentivaram a continuar escrevendo. E foi o que fez, sozinho ou em parceria, o nosso revistógrafo, tornando-se um dos autores de revistas, burletas e operetas mais famosos do Rio.(Abreu, 1963:248)

Com a burleta Comes e bebes deu-se sua estréia profissional, que contou com intérpretes que se tornariam célebres, pouco tempo depois, no teatro ligeiro carioca. A estréia ocorreu justamente na Companhia do Teatro São José, em 4 de janeiro de 1912, com Alfredo Silva, Cinira Polônio, Júlia Martins, Pepa Delgado, Franklin de Almeida e outros. Vieram logo depois, ainda em 1912, a opereta Casei com titia, com música de Chiquinha Gonzaga, apresentada no Teatro São Pedro pela Companhia João de Deus e Zé Pereira com música de Francisco Nunes , também no São José. (Abreu, 1963:248)

Cardoso de Menezes, aliando-se primeiro à grande Chiquinha Gonzaga e logo após a Carlos Bittencourt, produziu revistas, burletas e operetas que ficaram como modelos do gênero. A revista, então chamada de “Carnaval”, teve nele o seu grande autor, “Gato, Baêta e Carapicú” foi dos maiores êxitos de sua época com o ator Alfredo Silva. Depois da fundação da Cia. Nacional de Revistas e Burletas por Paschoal Segreto, para o Teatro S. José, em 1913 [sic], não creio que algum autor tenha ultrapassado com êxito a dupla Carlos Bittencourt e Cardoso de Menezes. (Abreu, 1963: 249)

Cardoso de Menezes foi um dos raros autores a ter o privilégio de ver suas peças em cena por mais de cem representações consecutivas; o que era considerado, para os padrões da época, e do teatro ligeiro, um claro indicativo de qualidade. Segundo Gill (1944: 8) as peças de Cardoso de Menezes [constituíam] acontecimentos expressivos principalmente para os cofres das empresas teatrais [...] e como revistógrafo, descobriu o ovo de Colombo do teatro no Rio quando criou a sua primeira revista exclusivamente carnavalesca. Foi autor de muitas peças, e grande parte desse sucesso, devido certamente a sua “maestria” na escrita destes gêneros teatrais e a conseqüente boa acolhida do público, realizou com seu mais regular e igualmente bem sucedido colaborador, Carlos Bittencourt.

Faleceu em 30 de março de 1958, às vésperas de completar 80 anos, dos quais mais da metade foram dedicados ao teatro. Sua última peça foi ainda uma revista, Fogo no pandeiro, montada em 1950, pela Companhia Ferreira da Silva no Teatro João Caetano, tendo como intérpretes, entre outros, Dercy Gonçalves, Colé, Silva Filho e Walter D’Ávila.

Fonte: Frederico Antonio Cardoso Menezes - Uma Dinastia de músicos no Porto / Trecho da dissertação de mestrado de Maria Filomena Vilela Chiaradia, p.79-82.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Stanislaw Ponte Preta

Sérgio Porto (Sérgio Marcus Rangel Porto), cronista, radialista e compositor, conhecido também como Stanislaw Ponte Preta, nasceu no Rio de Janeiro (RJ) em 11/1/1923 e faleceu na mesma cidade em 30/9/1968.

Iniciou carreira jornalística escrevendo para a revista Sombra, em 1949. Dois anos depois estava no jornal Diário Carioca, em 1953 na Tribuna de Imprensa e em 1954 na Última Hora, do Rio de Janeiro, onde, sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, deu início às crônicas satíricas que lhe deram fama.

Escreveu em 1953 a Pequena história do jazz e no ano seguinte foi colaborador da Revista de Música Popular, fundada por seu tio Lúcio Rangel e Pérsio de Morais. Com Lúcio Rangel e o pintor Santa Rosa fundou a revista O Mundo Ilustrado.

Em 1956 escreveu com Nestor de Holanda TV para crer, e com Luís Iglésias, no ano seguinte, Quem comeu foi pai Adão, revistas teatrais encenadas com êxito. Escreveu shows musicais para boates, entre os quais o levado em 1964 na boate Zum-Zum, do Rio de Janeiro, com Araci de Almeida e Billy Blanco e apresentação dele próprio.

Como compositor destacou-se com o Samba do crioulo doido, gravado pelo Quarteto em Cy no LP Em Cy maior, em 1968, pela Elenco. O samba glosa a dificuldade dos compositores de escolas de samba quando obrigados a estudar a História do Brasil para compor os enredos dos desfiles.

Suas crônicas começaram a ser reunidas em livro a partir de 1961, com Tia Zulmira e eu, culminando em 1966 com o Febeapá, festival de besteira que assola o país. Foi em certo momento, pela linguagem, estilo, temas e críticas, a encarnação da “alma carioca”.

Fonte: MPB Cifrantiga.