segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A corda do diabo

Sinfrônio era um homem riquíssimo, dono de inúmeras propriedades e dispondo de fabulosas somas em ouro. Metendo-se, porém, em maus negócios, empobreceu de repente.

Vendo-se na mais completa miséria, resolveu sair do seu país, procurar uma terra onde não fosse conhecido, e ver se conseguia recuperar a fortuna perdida.

Um dia, atravessando uma planície, encontrou o diabo, a quem não reconheceu, todavia.

— Que tens? perguntou-lhe Satanás, conquanto soubesse perfeitamente bem a causa da tristeza de Sinfrônío.

— Para que dizer-te?— respondeu este. — Não me poderás dar remédio...

— Isso é que não sabes; e, desde já, obrigo-me a tirar-te do embaraço, se te obrigares a fazer tudo quanto eu disser.

Em seguida, vendo que Sinfrõnio estava espantado com aquela proposta, deu-se a conhecer.

O pobre homem não sabia que fazer, mas como se achava desesperado da vida, completamente pobre, resolveu aceitar a proteção de Satanás.

Prometeu ficar-lhe pertencendo, com a condição de enriquecer de novo.

— Pois bem, disse o demônio concluindo o pacto, de hoje em diante sair-te-ás bem de todos os negócios em que te envolveres. Se, entretanto, te achares alguma vez em perigo, bastará dizer “Dom Martinho, socorre-me!” e eu te aparecerei.

O capataz do inferno sumiu-se.

Sinfrônio, continuando viagem, chegou pelo meio da noite, a uma cidade.

Aí, certo de que triunfaria, resolveu roubar.

Em todas as casas que pretendia entrar, mal chegava, as portas abriam-se de par em par, encontrava os moradores profundamente adormecidos, e via à mão objetos preciosos.

Então meteu-se em altas empresas, e tornou-se um bandido célebre, terror de toda a região, saqueando viajantes.

Um dia foi preso.

Mal se viu na prisão, lembrou-se do seu protetor e exclamou:

— Dom Martinho, socorre-me!

O diabo apareceu logo e libertou-o.

Vendo-se livre, Sirifrônio recomeçou na sua antiga existência, cometendo toda a sorte de rapinagens.

Novamente foi preso, mas, como da primeira vez, invocou Satanás.

— Dom Martinho, socorre-me!

O demônio veio, mas Sinfrônio reparou que se demorara um pouco.

— Por que não vieste mais depressa?

— Estava ocupado, limitou-se o diabo a dizer laconicamente.

Mais tarde, depois de novos crimes e terríveis façanhas, o nosso herói caiu nas mãos da justiça.

Do fundo da sua prisão chamou Satanás que não veio.

Passaram-se dias, o processo já estava muito adiantado, e só faltava a sentença, quando finalmente mestre Lúcifer veio libertar o amigo.

Posto em liberdade, o bandido continuou ainda na sua horrível existência de rapinagem, com mais afã que nunca, em vez de se emendar.

Pela quarta vez foi preso, encerrado numa masmorra forte, e guardado por sentinelas.

Sem se inquietar muito, Sinfrônio gritou pelo demônio, segundo haviam combinado.

— Dom Martinho, socorre-me!

Decorreram semanas e semanas, até que, enfim, o juiz pronunciou a sentença, condenando-o à morte.

Marcou-se a data para a execução da sentença. Satanás, faltando à palavra, não acudiu à chamada.

Sinfrônio, escoltado pelo carrasco, e por soldados, caminhou para a praça e subiu à forca.

Foi só então que o capataz do inferno apareceu.

— Toma esta bolsa, disse-lhe ele. Aí, dentro estão vinte contos de réis. Dá-os ao juiz que ele te libertará.

O condenado, chamando o juiz, como que para lhe dizer as suas últimas vontades e confissões, fez-lhe a proposta.

O juiz, magistrado desonesto e avarento, escondeu a corda e disse para o povo:

- Cidadãos: acaba de suceder um fato extraordinário, que pela primeira vez acontece: esquecemos de trazer a corda para enforcar o condenado. A execução fica pois, suspensa. Quem sabe se Deus não quis, por esse modo, mostrar a inocência do réu? Vai rever-se a sentença mas a justiça será feita.

Prepararam-se os executores para reenviar Sinfrônio para a cadeia.



Nesse intervalo o magistrado abriu a bolsa, mas só encontrou uma corda nova, em lugar dos vinte contos de réis.

Voltou-se indignado, exclamando:

— Cidadãos: acaba de aparecer uma. Foi Deus quem a enviou. Este homem é na verdade um bandido. Enforquem-no!

Passaram o laço no pescoço de Sinfrônio, que vendo-se estrangulado, bradou:

— Dom Martinho, socorre-me!

— Ah! disse o demônio aparecendo, eu não posso fazer nada, quando os meus amigos já estão com a corda no pescoço.

É assim que o diabo, fingindo querer salvar-nos, acaba sempre por trazer a corda para nos enforcar.
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Figueiredo Pimentel
(Histórias da baratinha. Rio de Janeiro; Belo Horizonte, Livraria Garnier, 1994, p.103-106 - Biblioteca de Autores Célebres da Literatura Infantil, 2)

A dama pé-de-cabra


Certo dia, D. Diogo Lopez saiu para uma caçada e a meio do seu caminho, depara-se com uma mulher muito formosa, que cantava lindamente.

- Quem sois vós, senhora? Quem sois vós que logo me cativastes? - pergunta D. Diogo Lopez.

Ela sorriu e respondeu:

- Sou uma dama tão nobre como tu.

D. Diogo Lopez, rapidamente se apaixonou perdidamente por ela e disse-lhe:

- Senhora, se casares comigo ofereço-te as minhas terras e os meus castelos.

- Guarda as tuas terras, que precisas delas para cavalgar! - respondeu ela.

- Que posso oferecer-te então para que sejas minha?

Ela não disse nenhuma palavra. De repente, estremeceu:

- A única coisa que me interessa não ma podes dar porque foi um legado da tua mãe.

- E se eu te amar mais do que à minha própria mãe?

Esta lhe disse:

- Nesse caso tens de jurar que não tornas a fazer o sinal da cruz que ela te ensinou em pequeno.

Este estranhou o pedido, mas estava tão apaixonado por ela, que exclamou:

- Seja como queres!

Dito isto D. Diogo levou-a para o castelo. Durante longos anos tudo correu bem, embora D. Diogo tenha reparado que a mulher tinha pés de cabra.

Tiveram dois filhos, D. Inigo e D.ª Sol.

Certa noite ao jantar, devido à morte de um dos cães de caça de D. Diogo provocada pela cadela da sua esposa, D. Diogo esqueceu-se do juramento e benzeu-se...

Foi o suficiente, para a sua esposa se desmanchar em urros pavorosos, ficando a sua pele negra. A mulher parecia um animal horrendo, de boca torta e olhos revirados, erguia-se no ar levando debaixo do seu braço a sua filha D.ª Sol.

D. Diogo estava aterrorizado...

- A minha mulher é o diabo! - exclamou.

Dizendo isto, a mulher soltou o último grunhido e desapareceu por uma brecha junto ao teto.

Desde esse dia nunca mais ninguém no castelo, tornou a pôr a vista em cima da mãe, da filha e da cadela. Desapareceram por artes mágicas.
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Lenda de Portugal

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Como surgem os bichos das frutas?

Eles chegam ao interior delas ainda no formato de minúsculos ovos que se tornarão filhotes de um inseto chamado mosca-da-fruta, pertencente à família Tephrytydae.

"Depois de fecundadas, essas moscas perfuram as cascas das frutas para colocar seus ovos lá dentro", afirma a bióloga Denise Selivon-Scheepmaker, da Universidade de São Paulo (USP), especialista nesses bichinhos, que têm vários gêneros e espécies espalhados pelo mundo.

No Brasil, o gênero mais comum é o Anastrepha. O interior das frutas, local bem protegido e rico em alimentos, se revela um berçário ideal para o desenvolvimento das futuras moscas. Algumas espécies são capazes de utilizar diferentes frutas como hospedagem. Assim, se em uma determinada época do ano as goiabas, por exemplo, não estão disponíveis, elas podem procurar por mangas ou pêssegos para depositar seus ovos.

Mas há também alguns tipos de moscas que só usam uma variedade de fruta. Nesse caso, os cientistas ainda lutam para descobrir como essas espécies sobrevivem durante os períodos de entressafra.

A culpa é das moscas O crescimento de suas larvas acelera o apodrecimento da fruta

1. Com uma espécie de ferrão localizado no abdômen, a mosca-da-fruta rompe a casca e deixa seus ovos dentro do fruto.

2. Esses ovos se transformam em larvas que se alimentam da polpa da fruta e vão abrindo nela túneis onde passam a viver. Isso favorece a proliferação de bactérias que aceleram o apodrecimento da fruta. Para as larvas, esse processo é importante, pois a casca fica permeável, permitindo a entrada de mais ar e facilitando sua respiração.

3. Quando a fruta cai do pé, a larvase enterra alguns centímetros no solo para continuar seu desenvolvimento no estágio de pupa, um período intermediário antes da metamorfose total. Após dez dias, ela finalmente vira uma mosca.

Fonte: ME