segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sócrates, o calcanhar mágico

Doutor Sócrates
Tinha todos os defeitos para não vingar no futebol: fumava, bebia cerveja, treinava pouco, não suportava concentrações, tinha o pé pequeno (41) em relação à altura (1,91 m) e estudava Medicina. No entanto, tinha também as qualidades que forjavam os grandes craques. Frieza dentro da área, passes e toques perfeitos, excelente visão de jogo e vocação para marcar gols. Tanta categoria de um médico só poderia render o apelido de "Doutor". Para compensar a lentidão ao se virar, se valia do toque de calcanhar com uma eficiência nunca alcançada no futebol mundial. "Ele joga melhor de costas do que a maioria de frente", chegou a declarar Pelé. Inteligente e engajado, articulou o movimento que passou à história como “Democracia Corinthiana”, conquistando o Paulistão em 1979, 82 e 83.

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira (Belém, PA, 19/02/1954 – São Paulo, SP, 04/12/2011), mais conhecido como Sócrates e também referido como Doutor Sócrates, Doutor ou Magrão, recebeu esse nome porque seu pai, que era apaixonado por literatura, estava lendo “A República de Platão” na época de seu nascimento. A família, originária de Messejana, Ceará, vivia em Belém do Pará, mudou-se para Ribeirão Preto, SP, quando o pai, funcionário público federal, foi transferido.

Em Ribeirão Preto, ingressou no colégio dos Irmãos Maristas, onde começa a prática esportiva e se apaixona pelo futebol. Na época torcia pelo Santos. Quando completou doze anos, sua numerosa família já estava completa, com seus cinco irmãos - Sóstenes, Sófocles, Raimundo filho, Raimar e Raí, então com um ano de idade.

Aos dezesseis jogava no time juvenil do Botafogo Futebol Clube de sua cidade. Aos dezessete, ingressou na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, continuava jogando pelo Botafogo. No final de 1973, decide profissionalizar-se como jogador, sem abandonar o curso de medicina, que conclui em 1977, sem interromper sua carreira no futebol.

No Botafogo de Ribeirão Preto foi considerado um fenômeno desde o início, pois quase não treinava em função de frequentar o curso de medicina na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP). No ano de 1977 o Botafogo Futebol Clube contratou o treinador Jorge Vieira, que chegou ao clube dando o recado: "jogador que não treina, não joga". Sócrates achou que não jogaria mais futebol, porém Jorge Vieira, reconhecendo o talento de Sócrates, deu tratamento diferenciado ao jogador. Naquele ano Sócrates foi campeão da Taça Cidade de São Paulo 1977, disputando o título com o São Paulo no Morumbi e artilheiro do campeonato. Ainda pelo Botafogo, também se destacou no Campeonato Brasileiro, marcando um célebre gol de calcanhar contra o Santos na Vila Belmiro. Em 1978, deixou o Botafogo e transferindo-se para o Corinthians.

Sócrates se firmaria no Corinthians em 1978, refazendo a dupla com seu ex-companheiro no Botafogo Geraldão. Mas seus grandes companheiros de ataque nesse time seriam Palhinha e o amigo Casagrande. Sócrates passou a se dedicar mais ao futebol depois que se formou em medicina (1977). Na Seleção Brasileira estrearia em 1979 em um amistoso contra o Paraguai.

Foi uma das estrelas de times famosos em nível nacional e mundial: a Seleção Brasileira de Futebol da Copa do mundo de 1982 e do Corinthians da década de 1980, celebrizado pelo movimento da Democracia Corintiana. Na Copa de 1982 marcou dois gols contra as respeitadas equipes da URSS e Itália, mas isso não bastou para o Brasil se sagrar campeão. Também teve excelente atuação na Copa América de 1983, onde a seleção brasileira foi vice-campeã. Aos 30 anos faz uma rápida e decepcionante passagem pelo Fiorentina da Itália, entre 1984 e 1985.

Na Copa do Mundo de 1986 estaria novamente em ação, mas já fora de forma ideal. Ficaria ainda marcado pelo pênalti desperdiçado contra a França, na decisão que desclassificou o Brasil. Antes de encerrar a carreira (1989), ainda atuaria no Flamengo, no Santos e no Botafogo de Ribeirão Preto.

Logo após encerrar a carreira de jogador, tornou-se técnico do Botafogo. Em 1996, foi também técnico da equipe equatoriana LDU, mas demitiu-se alegando falta de profissionalismo dos jogadores.

Em 1999, atendendo a um convite de um antigo companheiro de seleção, Leandro, foi técnico da equipe carioca Cabofriense.

Fora do futebol, Sócrates sempre manteve uma ativa participação política, tanto em assuntos relacionados ao bem-estar dos jogadores quanto aos temas correntes do país. Na década de 1980, participou da campanha Diretas Já (1983- 1984) e foi um dos principais idealizadores do movimento Democracia Corintiana (1982- 1984), que reivindicava para os jogadores mais liberdade e mais influência nas decisões administrativas do clube. Era articulista da revista "Carta Capital" e do jornal "Agora São Paulo" e comentarista esportivo do programa "Cartão Verde" da TV Cultura.

Em agosto de 2011, foi internado na UTI do Hospital Albert Einstein devido a uma hemorragia digestiva alta causada por hipertensão portal. Após essa primeira internação, admitiu que tinha problemas de alcoolismo.

Após uma segunda internação em setembro, em dezembro de 2011, seria internado mais uma vez devido a uma suposta intoxicação alimentar, que acabou por se transformar em um grave quadro de choque séptico em razão de sua condição de saúde já debilitada. Sócrates faleceu às 4:30 da manhã de 4 de dezembro de 2011, em decorrência do choque séptico.

Sócrates foi sepultado no dia 4 de dezembro de 2011, no cemitério Bom Pastor, na cidade de Ribeirão Preto que, logo após o falecimento, decretou luto oficial.

Fontes: Revista Placar; Wikipédia.

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