segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O terceiro sexo

O nosso amigo Rosamundo, quando foi tirar carteirinha de jornalista no Ministério do Trabalho, provou que a pessoa pode ser distraída, que isso não diminui o seu senso de observação.

O Rosa, depois de muito insistirmos, resolveu ir tirar a mencionada carteirinha, um pouco encabulado, diante desse mundo de calhordas que se esconde atrás de uma carteira de jornalista para conseguir favores e exorbitar da profissão.

O distraído lá esteve, no Ministério do Trabalho. Depois de subir várias escadas, porque não percebeu que no prédio havia elevador, Rosamundo foi atendido por uma funcionária pára que fizesse a indispensável ficha pessoal. E foi aí que ficou ratificada a nossa teoria de que a pessoa pode ser distraída, que isto não importa em que seja menos observadora. A funcionária perguntou:

— Nome?

— Rosamundo das Mercês — respondeu.

— Idade?

— 39.

— Local do nascimento?

— Buracap.

— Sexo?

— Terceiro.

— Como? — estranhou a funcionária: — O senhor é do terceiro sexo?

— Sou sim senhora.

— Quer dizer que o senhor não é nem do sexo feminino, nem do sexo masculino?

— Sou do sexo masculino — respondeu Rosamundo, com dignidade.

— Então o senhor não é do terceiro sexo — atalhou a dama, meio sobre a indignada.

E Rosamundo:

— Sou sim senhora. É que ultimamente certas coisas progrediram tanto, que o masculino passou pra terceiro, dona.
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Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto).
Fonte: O MELHOR DE STANISLAW - Crônicas Escolhidas - Seleção e organização de Valdemar Cavalcanti - Ilustrações de JAGUAR - 2.a edição - Rio - 1979 - Livraria José Olympio Editora

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