segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Rapariga prática



Eis um exemplo de como a nossa imprensa (e as demais do resto do mundo ocidental) brincava com o libido dos leitores de jornais, revistas ou folhetins no começo do século XX, quase em sua totalidade homens. Então nada mudou! A "poética" conversa é transcrita aqui no português da época na edição do "Rio Nu" de 08/08/1903:

Um rapaz todo elegante, / Que se veste com primor, / Em companhia da amante, / Num domingo de calôr, / Faz um passeio campestre / E diante de uma campina, / Exclama: - "Vê tu menina! / Olha que quadro de mestre / Se poderia fazer / Pintando esse campo infindo! / Dá gosto até só de vêr / Um panorama tão lindo! / Oh! Que bonito que é! / Esse campo, com o sol quente, / Fica tão verde que até / Abre o appetite da gente!" 

 Mas a sua linda amante / Mostra parecer que não / Partilha a admiração, / Que o domina neste instante. / Olha p'ra o campo sem fim, / Do sol ardente innundado, / E, a contemplal-o, por fim, / Diz com ar preoccupado: / - "Pois eu cá não gosto nada / De um campo assim descoberto, / É muito melhor, de certo / Uma floresta cerrada, / Onde ha muitos passarinhos, / E onde, com muito prazer, / A gente encontra cantinhos / Em que se possa... metter...

 Fonte: http://memoria.bn.br

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