terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A morte na boca do povo



"A morte para todos faz capa escura,
E faz da terra uma toalha;
Sem distinção ela nos serve,
Põe os segredos a descoberto,
A morte liberta o escravo,
A morte submete rei e papa
E paga a cada um seu salário,
E devolve ao pobre o que ele perde
E toma do rico o que ele abocanha." (1)


Abaixo, algumas locuções e expressões populares que designam o verbo morrer:

A

Abalar-se para o além
Abarcar os sete palmos
Abecar a dama negra
Abonar o coveiro
Abotoar o paletó
Abotoar o pijama de madeira
Abreviar a viagem
Acampar no cemitério
Ajuntar os pés
Amanhecer olhando o dedo grande do pé
Apitar
Apresentar-se ao papa do inferno
Atacar o paletó
Atingir a reta da chegada
Atolar o carro
Arriar a bandeira

B

Bacafuzar-se
Badalar o sino
Bater a alcatra na terra ingrata
Bater a biela
Bater a bola
Bater a pacutinga
Bater a paquera
Bater a passarinha
Bater as botas
Bater o pacau
Bater o vinte e sete
Bater o vinte e um

C

Cair no esquecimento
Casar com a mulher da foice
Cessar a suspiração
Chegar a hora
Chegar ao fim da estória
Chispar no cavalo da morte
Coalhar o sangue
Comer terra na cara
Comer pão de terra
Comer capim pela raiz
Cumprir a vontade de Deus

D

Dar adeus a jerimum
Dar com o rabo na cerca
Dar o banzé
Dar o couro à vara
Dar o créu
Dar o último suspiro
Defuntar
Deixar de comer farinha
Deixar de viver
Desarmar a tenda
Descansar
Desencadernar
Desligar a tomada
Desocupar o beco
Dizer adeus ao mundo

E

Embarcar
Embiocar
Enfrentar São Pedro
Engajar no batalhão da morte
Entrar no rol dos bons
Entregar a alma a Deus
Envelopar-se
Espichar a canela
Estancar o motor
Estar na terra da verdade
Estar na terra de onde não se volta
Esticar o cambito
Esticar o molambo
Esticar o pernil
Esvaziar os pneus

F

Falecer da vida presente
Fazer a última viagem
Fazer companhia aos defuntos
Fazer gosto ao cão
Fazer a vontade de Deus
Fechar a sueca
Fechar o furico
Fechar os olhos
Ficar de olho vidrado
Findar
Fumar-se

G

Ganhar o descanso eterno
Gastar a mola
Guardar a ferramenta

I

Inteirar o tempo
Ir dar conta do feijão que comeu
Ir desta para melhor
Ir para a buíca
Ir para a cidade de pés juntos
Ir para o Acre
Ir para o buraco de camunda
Ir para o envelope
Ir para o vinagre
Ir pro beleléu
Ir-se

L

Largar a casca
Levar bandeira a meio-pau
Limpar o lugar
Liquidar o negócio

M

Mascar barro
Morar na pensão de Santo Amaro
Morrer na vez que lhe coube
Mudar de planeta
Mudar-se para o cemitério
Mudar-se
Muquecar-se

N

Não comer mais feijão
Não comer mais pirão

P

Passar
Passar desta para melhor
Pedir baixa
Pegar o expresso de madeira somente com passagem de ida
Peitar a parca
Perder o garrão
Perder o rumo da seguição
Picar a mula
Pifar
Pitar macaia
Promover-se a defunto

Q

Quebrar o rabicho
Quebrar a tira
Queimar o fusível
Queimar a piriquita

R

Rachar o quengo
Receber as incelenças
Refinar a rapadura
Render a alma ao criador
Render o espírito
Render o fôlego

S

Sair da cancha
Saldar as dívidas
Secar o mucumbu
Selar os olhos
Sustar o jogo

T

Tomar a benção a São Pedro
Tomar chá de buraco

V

Ver o céu por dentro
Vestir pijama de madeira
Viajar
Virar defunto
Virar picolé
Visitar São Pedro
Voar no pau

 (1) Hélinand de Froidmont. Os Versos da Morte. Poema do século XII, 1996: 50, vv. 361-372)
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Em Maior, Mário Souto. “A morte na fala do povo”. Em Revista brasileira de folclore, ano XII, nº 36, maio/agosto de 1973. Ministério da Educação e Cultura, Departamento de Assuntos Culturais.

Fonte: Jangada Brasil.

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