Quem descobriu, perdida no noticiário policial de um matutino, a intensa poesia contida no bilhete do suicida? Creio que foi Manuel Bandeira. Sim, se a memória não falha (e, meu Deus, ela está começando a falhar), foi o poeta Bandeira. Ele é que tem o dom da poesia mais forte.
Claro, todos nós somos poetas em potencial, amando a poesia no vôo de um pássaro, na comovente curva de um joelho feminino, no pôr do sol, na chuva que cai no mar.
Mas nós somos os pequenos poetas, os que sentimos a poesia, sua mensagem de encantamento, sem capacidade bastante para transmitir ao amigo, à amada, ao companheiro aquilo que nos encantou.
Então Deus fez o poeta maior, aquele que tem o dom de transmitir por meio de palavras toda e qualquer poesia, seja ela plástica, audível, rítmica; sentimento ou dor.
"A poesia é espontânea" — disse um dia Pedro Cavalinho, o tímido esteta, enquanto descíamos de madrugada uma rua molhada de orvalho e um galo branco cantou num muro próximo. Um muro que o limo pintara de verde. E é mesmo. Tão espontânea, que estava no bilhete do suicida.
Um minuto antes de botar formicida no copo de cerveja e beber, ele rabiscou, com sua letra incerta, num pedaço de papel: "Morri do mal de amor. Avisem minha mãe. Ela mora na Ladeira da Alegria, sem número."
Manuel Bandeira, poeta maior, nem precisou transformar num poema as palavras do morto. Leu a notícia em meio às notas policiais do matutino e notou logo o que podem as palavras. O homem humilde, que fora a vida inteira um espectador da poesia das coisas, no último instante, sem a menor intenção, se fez poeta também. E deixou sobre a mesa suja de um botequim, entre um copo de formicida e uma garrafa de cerveja, a sua derradeira mensagem — a sua primeira mensagem poética.
Num matutino de ontem, num desses matutinos que se empenham na publicidade do crime, havia a seguinte notícia: "João José Gualberto, vulgo "Sorriso", foi preso na madrugada de ontem, no Beco da Felicidade, por ter assaltado a Casa Garson, de onde roubara um lote de discos." Pobre redator, o autor da nota.
Perdido no meio de telegramas, barulho de máquinas, campainha de telefones, nem sequer notou a poesia que passou pela sua desarrumada mesa de trabalho, e que estava contida no simples noticiário de polícia.
Bem me disse Pedro Cavalinho, o tímido esteta, naquela madrugada: "A maior inimiga da poesia é a vulgaridade."
Distraído na rotina de um trabalho ingrato, esse repórter de polícia soube que um homem que atende pelo vulgo de "Sorriso" roubara discos numa loja e fora preso naquele beco sujo que fica entre a Presidente Vargas e a Praça da República e que se chama da Felicidade.
Fosse o repórter menos vulgar ele teria escrito: "O Sorriso roubou a música e acabou preso no Beco da Felicidade."
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Fonte: Tia Zulmira e Eu - Stanislaw Ponte Preta - 6.ª edição - Ilustrado por Jaguar - EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA S.A.
Aqui tem humor, crônicas, contos, futebol das antigas, gibis, mpb, biografias de artistas e atrizes de hollywood.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
História do Rio de Janeiro
A coisa começou no século XVI, pouco depois que Pedro Álvares Cabral, rapaz que estava fugindo da calmaria, encontrou a confusão, isto é, encontrou o Brasil. Até aí não havia Rio de Janeiro.
Depois, em 1512 — segundo o testemunho ocular de Brício de Abreu —, rapazes lusitanos que estavam esquiando fora da barra descobriram uma baía muito bonita e, distraídos que estavam, não perceberam que era baía. Pensaram que era um rio e, como fosse janeiro, apelidaram a baía de Rio de Janeiro. Eis, portanto, que o Rio já começou errado.
Passaram-se os anos, os portugueses não deram muita bola pra descoberta, e vieram uns franceses intrusos e se alojaram na baía. Foi então que os portugueses abriram os olhos e, ao mesmo tempo, abriram fogo contra o invasor, chefiados por um destemido cavalheiro que atendia pelo nome de Estácio de Sá (onde mais tarde se fundaria a primeira escola de samba, mas isso foi depois).
Estácio era sobrinho de Mem de Sá, ex-governador-geral, e primo de Salvador de Sá, que mais tarde viria a governar a cidade. É interessante notar que, muito tempo depois, quem descer pela Rua Mem de Sá vai dar na Rua Salvador de Sá que, por sua vez, passa pelo Largo do Estácio, também de Sá.
Quando os comandados de Estácio de Sá iniciaram a batalha contra os franceses, a coisa foi dura e só se resolveu numa derradeira batalha travada na Praia de Uruçumirim. Para vencer tiveram que suar a camisa e é por isso que, mais tarde, a Praia de Uruçumirim ficou sendo a Praia do Flamengo, o célebre Flamengo, que, por tradição, sua a camisa até hoje. Isso aconteceu aí pelo ano de 1567 e estava fundada a cidade do Rio de Janeiro, a mesma que viria a ser, em 1763, capital do vice-reinado, e depois capital da República dos Estados Unidos do Brasil.
A cidade foi construída sobre alagadiços e a brava gente, que a construiu, secou tão bem os alagadiços que até hoje está faltando água.
Quando, em 1763, foi considerada capital do vice-reinado, a cidade tinha somente 30 mil habitantes natos e mais, naturalmente, o Brício de Abreu, que não nasceu aqui, mas em Paris, de onde veio ainda pequenino no vapor "Provence".
Daí por diante o Rio de Janeiro foi crescendo, foi crescendo, foi crescendo e... pimba!... estourou. E, como tudo que estoura, abriu buraco pra todo lado.
Tal é, em resumo, a História do Rio de Janeiro, que foi descoberto por portugueses navegadores e que portugueses do comércio atacadista da Rua Acre querem levar para Portugal. Daí o velho ditado de Tia Zulmira: "Cabral descobriu o Brasil e Manoel quer carregar."
Não é, como o leitor mais arguto pouquinha coisa pôde perceber, uma História tão brilhante assim, como pretendem as letras dos sambas apoteóticos.
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Fonte: Tia Zulmira e Eu - Stanislaw Ponte Preta - 6.ª edição - Ilustrado por Jaguar - EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA S.A.
Depois, em 1512 — segundo o testemunho ocular de Brício de Abreu —, rapazes lusitanos que estavam esquiando fora da barra descobriram uma baía muito bonita e, distraídos que estavam, não perceberam que era baía. Pensaram que era um rio e, como fosse janeiro, apelidaram a baía de Rio de Janeiro. Eis, portanto, que o Rio já começou errado.
Passaram-se os anos, os portugueses não deram muita bola pra descoberta, e vieram uns franceses intrusos e se alojaram na baía. Foi então que os portugueses abriram os olhos e, ao mesmo tempo, abriram fogo contra o invasor, chefiados por um destemido cavalheiro que atendia pelo nome de Estácio de Sá (onde mais tarde se fundaria a primeira escola de samba, mas isso foi depois).
Estácio era sobrinho de Mem de Sá, ex-governador-geral, e primo de Salvador de Sá, que mais tarde viria a governar a cidade. É interessante notar que, muito tempo depois, quem descer pela Rua Mem de Sá vai dar na Rua Salvador de Sá que, por sua vez, passa pelo Largo do Estácio, também de Sá.
Quando os comandados de Estácio de Sá iniciaram a batalha contra os franceses, a coisa foi dura e só se resolveu numa derradeira batalha travada na Praia de Uruçumirim. Para vencer tiveram que suar a camisa e é por isso que, mais tarde, a Praia de Uruçumirim ficou sendo a Praia do Flamengo, o célebre Flamengo, que, por tradição, sua a camisa até hoje. Isso aconteceu aí pelo ano de 1567 e estava fundada a cidade do Rio de Janeiro, a mesma que viria a ser, em 1763, capital do vice-reinado, e depois capital da República dos Estados Unidos do Brasil.
A cidade foi construída sobre alagadiços e a brava gente, que a construiu, secou tão bem os alagadiços que até hoje está faltando água.
Quando, em 1763, foi considerada capital do vice-reinado, a cidade tinha somente 30 mil habitantes natos e mais, naturalmente, o Brício de Abreu, que não nasceu aqui, mas em Paris, de onde veio ainda pequenino no vapor "Provence".
Daí por diante o Rio de Janeiro foi crescendo, foi crescendo, foi crescendo e... pimba!... estourou. E, como tudo que estoura, abriu buraco pra todo lado.
Tal é, em resumo, a História do Rio de Janeiro, que foi descoberto por portugueses navegadores e que portugueses do comércio atacadista da Rua Acre querem levar para Portugal. Daí o velho ditado de Tia Zulmira: "Cabral descobriu o Brasil e Manoel quer carregar."
Não é, como o leitor mais arguto pouquinha coisa pôde perceber, uma História tão brilhante assim, como pretendem as letras dos sambas apoteóticos.
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Fonte: Tia Zulmira e Eu - Stanislaw Ponte Preta - 6.ª edição - Ilustrado por Jaguar - EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA S.A.
Petiscos praianos e suas calorias
Se neste verão a praia é a sua estadia oficial, fique atenta com a variedade de opções gostosas à beira-mar. Por isso confira essa listinha de petiscos e sua respectiva quantidade de calorias. Não dê bobeira e mantenha a sua dieta em dia!
Açaí com granola (1/2 porção de 250 g) - 310 cal
Água de coco (copo de 200ml) - 44 cal
Amendoim torrado com sal (porção de 50 g) - 290 cal
Batida de maracujá (copo, 200 ml) - 195 cal
Biscoito de polvilho (6 unidades) - 170 cal
Caipirinha (copo de 250 ml) - 260 cal
Casquinha de siri (porção de 130 g) - 413 cal
Cerveja 1 lata (350 ml) - 147 cal
Cocada (unidade de 50 g) - 290 cal
Espetinho de camarão (5 unidades de 100 g) - 238 cal
Isca de peixe frito (porção de 100 g) - 354 cal
Lula frita (porção pequena) - 350 cal
Milho verde no prato com margarina light (col. de sobremesa) - 132 cal
Pastel (unidade) - 150 cal
Picolé com leite (unidade) - 110 cal
Picolé sem leite (unidade) - 60 cal
Refrigerante (copo médio de 300 ml) - 251 cal
Salada de frutas (unidade) - 150 cal
Sanduíche natural de atum com alface e cenoura (unidade de 180 g) - 310 cal
Sorvete de massa (bola) - 101 cal
Tapioca com leite condensado (unidade de 120 g) - 432 cal
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Fonte: Vila Mulher
Texto: Jessica Moraes
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