terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Flagrante n.°2

Mais um flagrantezinho carioca, desta vez colhido pelo ator Milton Morais, que comprou cigarro num botequim da Rua Alcindo Guanabara, e ficou espiando um gari que, de imensas luvas e não menos avantajada vassoura, varria sumariamente a calçada.

O que chamou a atenção de Milton foi o estado deplorável do gari: estava impressionantemente empoeirado e parecia que um monte de carvão se abatera sobre sua cabeça. Apesar disso, assoviava um sambinha, prazenteiramente, e mexia com as mocinhas que transitavam pelo local.

Veio uma moreninha mais ou menos e ele, parando de assoviar, falou:

— Como é, bonitinha... vamos a um cinema aí?

A moça nem olhou e foi em frente. O gari não se deu por achado, voltou a assoviar e a varrer. Foi quando apareceu uma lourinha das mais apetecíveis. Veio vindo e passou pertinho do gari, que parou de varrer, pigarreou e falou:

— Era uma coisa assim que minha mãe gostaria de ter como nora!

Aí Milton Morais se chateou com a presunção do gari e chamou-lhe a atenção, perguntando se ele pensava mesmo que uma daquelas mulheres ia querer alguma coisa, encontrando-se ele naquele estado de sujeira. Resposta do gari:

— Vai ser difícil, doutor. Mas "as veis" uma delas pode ser tarada.
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Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto).
Fonte: GAROTO LINHA DURA - Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1975

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